Brexit: setores do vinho e cortiça não preveem impacto nas exportações

O setor do vinho está "tranquilo" com a saída do Reino Unido da União Europeia , não prevendo qualquer problema a nível das exportações, a menos que se verifique uma crise económica.

"O setor do vinho está tranquilo e não antecipa qualquer tipo de problema nas exportações para o Reino Unido, devido ao brexit", assegurou, em resposta à Lusa, a Associação de Vinhos e Espirituosas de Portugal (ACIBEV).

Conforme explicou a associação, o processo só será impactado caso se verifique uma crise económica no Reino Unido, o que, a acontecer, "será mais provavelmente" devido à pandemia de covid-19 do que ao brexit.

A valorização da libra, por outro lado, também pode afetar as exportações portuguesas de vinho, porém, a ACIBEV diz não ser expectável que isso venha a acontecer.

Já o custo decorrente do processo alfandegário, após a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), "vai ser residual" para as empresas que exportam regularmente e com "alguma quantidade".

O novo acordo de comércio e cooperação entre o Reino Unido e a UE contém um anexo específico dedicado ao comércio de vinhos, que, segundo a associação, contém algumas disposições que "irão facilitar o comércio", nomeadamente requisitos de certificação simplificados, permitindo que os produtores sejam autorizados a "autocertificar a conformidade e qualidade do seu vinho".

Adicionalmente, o acordo contempla princípios comuns de rotulagem, "garantindo uma informação adequada aos consumidores", o intercâmbio de informações e uma cláusula de revisão, através da qual "as partes considerarão, no prazo de três anos a partir da entrada em vigor do acordo, medidas acionais para facilitar o comércio de vinhos", bem como o compromisso de as partes aceitarem a importação de vinhos produzidos de acordo com as práticas enológicas uma da outra.

"Principalmente ao longo dos últimos nove meses, houve muita incerteza pelo arrastar do processo com muita informação a ser divulgada aos exportadores/importadores e associações que representam o setor, quer para uma possibilidade de brexit sem acordo, quer para uma possibilidade de brexit com acordo", notou a associação.

No entanto, esta incerteza não afetou as exportações portuguesas de vinho para o Reino Unido que, entre janeiro e outubro de 2020, atingiram 214.438,15 hectolitros, mais 17,5% do que no período homólogo, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).

Um novo Acordo de Comércio e Cooperação, concluído em 24 de dezembro, entrou em vigor às 23:00 de 31 de dezembro (a mesma hora em Londres e meia-noite em Bruxelas), para suceder ao período de transição pós-brexit, durante o qual o Reino Unido manteve acesso ao mercado único e o respeito pelas regras europeias.

Rompidos os últimos laços de uma relação de quase 50 anos, o acordo garante o acesso mútuo dos produtos aos dois mercados sem quotas nem taxas aduaneiras, mas passam a existir uma série de barreiras comerciais, como mais controlos aduaneiros e burocracia nas transações económicas.

Cortiça otimista

O setor da cortiça continua a olhar "com otimismo" para o Reino Unido, mesmo após o anúncio da saída da União Europeia, afastando a hipótese de um impacto direto "muito relevante", adiantou a APCOR.

"Apesar de não estimarmos um impacto direto muito relevante no nosso setor, o mesmo poderá acontecer por via do efeito nos nossos clientes, tendo em conta que dos 4,4 mil milhões de dólares de vinho importados pelo Reino Unido em 2019, mais de 70% têm origem na União Europeia", considerou, em resposta à Lusa, a Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR).

Em 2019, o Reino unido ocupou o sexto lugar nas exportações portuguesas de cortiça.

Este é um mercado para o qual o setor duplicou as suas exportações na última década "e para o qual continuamos a olhar com otimismo", garantiu a associação.

Fundada em 1956, a APCOR é uma associação patronal que representa 278 empresas, responsáveis por 80% do volume de negócios do setor

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