Brexit

Brexit: Reino Unido e UE começam hoje a desenhar um acordo “histórico”

Foto: EPA/ANDY RAIN
Foto: EPA/ANDY RAIN

O Reino Unido é, a seguir à Alemanha, o maior contribuinte para o orçamento comunitário.

O divórcio é irrevogável, resta agora decidir as partilhas, numa discussão que se adivinha longa. O Reino Unido começa esta segunda-feira, dia 19 de junho, a negociar as condições do Brexit com Bruxelas.

Um ano após o referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia, é hora de definir quais serão os direitos e deveres das duas partes de agora em diante.

Em cima da mesa estarão temas quentes como um acordo de comércio que seja favorável às duas partes ou quais serão os direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido e dos britânicos na União Europeia.

O que está em causa?

O debate em torno das políticas de imigração tem dominado as atenções. A primeira-ministra Theresa May é favorável à imposição de um limite anual máximo de imigrantes no país. O Reino Unido é o segundo país da União Europeia com mais imigrantes.

Segundo dados da Bloomberg, existem pelo menos 2,2 milhões de trabalhadores europeus no país. Os portugueses ascendem a 219 mil, apenas ultrapassados pela Polónia, de onde são provenientes 916 mil imigrantes, da Irlanda (332 mil) e da Roménia (233 mil).

Setores como o retalho, o comércio, a saúde ou a construção são altamente dependentes de imigrantes, o que já levou algumas instituições a defender a criação de vistos temporários que satisfaçam as necessidades do país nos primeiros anos após o Brexit, devido à falta de mão-de-obra britânica.

O acordo de comércio e a saída do mercado único europeu é outra das grandes preocupações dos dois lados da barricada. Ou não fosse a União Europeia o destino de 45% das exportações do Reino Unido. Caso o país abandone o bloco europeu sem um acordo de comércio favorável, as exportações ficarão sujeitas às condições mais pesadas da Organização Mundial de Comércio.

Do lado da União Europeia, a perda de uma significativa fatia do bolo orçamental é um dos maiores receios. O Reino Unido é, a seguir à Alemanha, o maior contribuinte para o orçamento comunitário. Neste campo, as duas partes irão muito provavelmente entrar em confronto. Para continuar a usufruir de alguns privilégios, os britânicos deverão ter de continuar financiar a UE.

Tal como todos os divórcios, este terá custos bastante elevados. As contas finais ainda não estão feitas, mas um primeiro balanço aponta para que o Reino Unido tenha de pagar cerca de 50 mil milhões de libras, cerca de 57 mil milhões de euros, para abandonar a União Europeia.

Imbróglio político

A eleição de Theresa May como primeira-ministra sem maioria absoluta representa uma dor de cabeça adicional para o Reino Unido. A líder do governo britânico já admitiu que membros de outros partidos poderão juntar-se às negociações.

O governante escolhido para liderar as negociações foi David Davies. Num comunicado emitido ontem, o responsável admitiu que o país tem pela frente “um longo caminho” e um acordo “como nunca foi feito na história”, prevendo porém que no final as duas partes vão estabelecer uma “parceria especial”.

“Queremos que as duas partes se mantenham fortes e prósperas, capazes de projetar os valores europeus que partilhamos, e demonstrando o nosso compromisso em proteger a segurança dos nossos cidadãos. Quero reiterar que após estas negociações, o Reino Unido vai permanecer um parceiro dedicado e um aliado dos nossos amigos do continente”, destacou David Davies.

O calendário

Para o final do primeiro dia de negociações está agendada uma conferência de imprensa conjunta de David Davies, designado secretário para o Brexit, e Michel Barnier, que lidera as negociações em nome da União Europeia.

No final da semana os líderes europeus vão reunir-se em Bruxelas para discutir o processo. A segunda ronda de negociações está agendada para 17 de julho. Os primeiros detalhes do divórcio deverão estar definidos entre outubro e dezembro.

O documento final, com todas as condições do processo de saída, deverá estar concluído até outubro do próximo ano.

No dia 29 de março de 2019, o Reino Unido deixará oficialmente de fazer parte da União Europeia.

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