Brinquedos não vão faltar neste Natal e preços não devem subir

A Concentra, que distribui dezenas de marcas de brinquedos e jogos, assume que tem suportado os encargos com a subida dos custos. E já começou a tratar do Natal de 2022

Os brinquedos são parte integrante do Natal para a maioria das famílias. Muitas vezes a dificuldade é escolher entre a panóplia de opções e, este ano, não será provavelmente exceção. Tanto a Concentra, empresa que distribui várias dezenas de marcas internacionais de brinquedos e de jogos, como a coreana Yoyoso, que é uma marca fast fashion designer brand, com várias dezenas de produtos, desde brinquedos, decoração, artigos de cozinha e eletrónicos, asseguram que não vai haver problemas com entregas. A Concentra - que é quem distribui, por exemplo, as princesas da Disney, Harry Potter, Patrulha Pata - garante que grande parte dos preços não subiu, estando a suportar o aumento dos encargos.

"Estamos o ano inteiro a preparar o Natal. O Natal, para nós, pesa 65% da nossa faturação, às vezes até pode pesar 70%", começa por salientar Ricardo Feist, administrador da Concentra Brinquedos. "Este ano está a ser completamente surreal. No início deste ano, a indústria dos brinquedos foi surpreendida pelo agravamento da pandemia o que levou o governo a fechar as lojas especializadas em brinquedos e, pela primeira vez, também proibiram a venda nos supermercados e hipermercados. Não era expectável para nós, ainda para mais num negócio em que o retalho alimentar pesa quase 85% do negócio. Para ter uma ideia, o mercado de brinquedos até abril estava a cair 80%", acrescenta.

A Páscoa e o fim das atividades escolares dão uma pequena ajuda ao mundo dos brinquedos, mas a época alta é mesmo o Natal. No arranque de 2021 "ainda sobravam stocks da campanha de Natal passado, que foram difíceis de escoar porque as lojas estiveram fechadas, o verão foi atípico e entrámos na campanha de Natal bastante apreensivos". Contudo, os primeiros sinais eliminaram os receios, apontando para uma subida significativa nas vendas.

"Começámos o ano muito mal mas como se joga a grande fatia do negócio nestes últimos dois a três meses, essas perdas do início do ano foram recuperadas e até ultrapassadas", assume. O mercado de brinquedos vale cerca de 200 milhões de euros e, no ano passado, contraiu cerca de 5%. "Nesta campanha, sentimos um crescimento muito forte. No geral do mercado, não crescendo como nós 30%, mas crescendo ligeiramente, diria que no final do ano podemos estar ou flat em relação ao ano passado ou com um ligeiro crescimento. Mas ainda é cedo".

Luís Ye, diretor-geral da Yoyoso em Portugal, explica, por sua vez, que a marca "teve, apesar de tudo, e especialmente este ano, de começar os preparativos para o Natal com muita antecedência". "É um processo de trabalho prévio para garantir que, após o Halloween, as nossas lojas se possam encher com tudo aquilo que os clientes necessitam, incluindo os brinquedos. Assim, não prevemos que este ano seja diferente, apesar de alguns constrangimentos na produção e distribuição dos mesmos".

A marca de origem coreana assegura que não tem sentido problemas de logística, graças ao trabalho de casa feito com antecipação. E, por isso, as sete lojas que tem em Portugal estão com stock. "Temos tudo organizado para que não falte nada aos portugueses. Os nossos brinquedos, sejam de produção própria ou de marcas parceiras, já estão disponíveis em todas as nossas lojas e temos stock suficiente para que nada falhe nesta quadra", garante Luís Ye.

O pesadelo
Os problemas nas cadeias de abastecimento têm sido "o pesadelo do ano". A maioria dos brinquedos são produzidos no oriente e chegam à Europa por via marítima. Com a falta de contentores e os atrasos nas entregas, a empresa teve de encontrar outras opções para não falhar o Natal. "O que começámos a sentir a partir do primeiro trimestre do ano foi que todos os nossos fabricantes aumentaram preços devido ao aumento das matérias-primas. Começámos a ter problemas com as encomendas que colocámos: demoraram seis meses a serem fornecidas pela falta desses componentes e, a agravar tudo isso, a questão dos fretes marítimos. Mercadorias que deveriam ter embarcado em junho, julho e agosto, embarcaram em setembro e outubro. No geral, conseguimos ter quase todos os nossos produtos a tempo da campanha de Natal. Algumas, estamos a trazê-las por avião, o que custa uma fortuna, porque não tínhamos alternativa para conseguir tê-las a tempo do Natal".

O administrador da Concentra assegura que tem "até agora suportado a maioria destes aumentos" de custos. Analisaram os seus produtos e há "uma parte muito pequena da nossa coleção" que sofreu um ajuste de preços. "Em 90% dos nossos produtos mantivemos os preços".

E para evitar problemas no próximo Natal, a Concentra está "já a colocar encomendas, sobretudo dos produtos elétricos para a campanha do Natal que vem [em 2022] para assegurar que não vamos ter estes constrangimentos".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de