Bruno Bobone

Bruno Bobone: Próximo governo tem de “ter coragem, vontade, ambição”

Bruno Bobone
(Orlando Almeida/Global Imagens)
Bruno Bobone (Orlando Almeida/Global Imagens)

Antecipando o Growth Forum na próxima semana, o líder da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa traça caminhos e desafios para a economia.

Entende que há um abrandar de esforços das empresas no movimento de internacionalização?

Há um acomodar, talvez… A situação está a correr bem e essa é a altura de trabalhar mais e não de começar a viver à sombra de resultados. Se temos bons resultados, devíamos diminuir impostos, fazer pactos de regime para objetivos comuns, não ter medo de apostar na iniciativa privada para trazer desenvolvimento… e isso levaria a que as empresas chegassem a mais mercados, vendessem mais, produzissem mais e tivessem acesso a apoios de financiamento mais facilitados. Mesmo porque a banca portuguesa está desastrosa — e uma parte é culpa sua, porque ainda não se restruturou suficientemente, outra do regulador que passou de ter medo de intervir para ter medo de não intervir e proíbe os bancos de trabalhar.

Acha que temos também um problema de gestão, uma gestão pouco profissional?

Já não, mas temos de continuar a investir muito na nossa competência e capacidade de gestão. Aquela tal rede do Estado funcionou com a sociedade portuguesa, mas agora temos de criar competências diferentes: capacidade de risco maior, mais competência na forma de gerir, acreditar que a formação é fundamental. E tudo isso tem vindo a ser feito – ainda agora estamos a lançar, na CCIP, uma formação para quadros de PME que não podem fazer um curso a tempo inteiro, em conjunto com a Nova SBE. Para que possam formar-se em gestão e dar mais capacidade e competência à gestão das suas empresas. Mas também aqui há uma parte cultural: a liderança em Portugal tem de assumir a responsabilidade. Quem chega a chefe não se pode sentar, tem de trabalhar o dobro dos outros. E isso ainda não está completamente absorvido. E tem de saber envolver as pessoas no projeto da empresa. Muitas vezes a liderança não funciona porque as pessoas não estão envolvidas, não têm conhecimento, não são parte do projeto – e então vão gerir de maneira diferente.

Estamos em ano eleições europeias e legislativas. Qual é a melhor coisa que nos pode acontecer?

Internacionalmente, que saia delas um Parlamento estável na Europa – o que, infelizmente, não parece fácil. Em Portugal, que haja um governo com consciência de que o retorno político lhe pode vir mais da verdade do desenvolvimento económico do país, do crescimento da riqueza e da garantia de distribuição dessa riqueza e menos da discussão política dos temas disruptivos que estão a pôr a sociedade numa posição de bipolarização, e em temas que dão primeira página nos jornais mas trazem grande preocupação ao desenvolvimento da economia. Um país governado por um governo com consciência, responsabilidade, sem medo e verdadeiramente virado para o crescimento.

Maioritário ou obrigado a fazer acordos?

É difícil dizer, porque ambos têm vantagens e inconvenientes… Um governo PS-PSD, por exemplo, podia garantir os tais acordos de regime, mas iria tentar marcar posição para ganhar as eleições seguintes… Mais do que qualquer outra coisa, são as pessoas, a sua consciência é que será fundamental e é isso que nos poderá permitir ter sucesso no país. Terá de ter coragem, vontade, ambição, um projeto. E nesse aspeto tem a CCIP ao lado para ajudar.

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