Comissão Europeia

Bruxelas corta crescimento deste ano em uma décima para 2,2%

Mário Centeno com Pierre Moscovici, comissário europeu da Economia. Fotografia: REUTERS/François Lenoir
Mário Centeno com Pierre Moscovici, comissário europeu da Economia. Fotografia: REUTERS/François Lenoir

Previsões do verão alertam para ambiente externo mais perigoso. Portugal volta a convergir com zona euro, mas porque Alemanha e França travam.

A economia portuguesa deve crescer ligeiramente menos este ano do que se esperava há três meses. Nas previsões intercalares de verão, divulgadas esta quinta-feira, a Comissão Europeia (CE) reviu o crescimento de 2018 de 2,3% (maio) para 2,2% agora por causa do ambiente externo mais arriscado, designadamente dos preços do petróleo, que podem subir e complicar a atividade. A criação de emprego também deve arrefecer.

“Prevê-se que as exportações e as importações continuem a expandir-se a um ritmo elevado, mas com um contributo global ligeiramente negativo para o crescimento devido ao ambiente externo menos favorável”, refere o novo diagnóstico sobre Portugal (pdf).

“O consumo privado continua a beneficiar da melhoria das condições do mercado de trabalho, mas prevê-se que desacelere ligeiramente no segundo semestre de 2018, uma vez que o ritmo de criação de emprego desacelera e, em menor grau, devido ao impacto da subida do preço do petróleo nos rendimentos disponíveis reais”, refere o documento na parte sobre Portugal.

O crescimento esperado de 2,2% fica ligeiramente abaixo dos 2,3% calculados pelo Banco de Portugal, pelo FMI e pelo Governo (Programa de Estabilidade).

As vítimas da guerra

Na apresentação das projeções intercalares para as economias europeias, Pierre Moscovici, o comissário dos Assuntos Económicos, referiu várias vezes a “grande incerteza” que existe relativamente aos preços do petróleo, bem como à evolução do comércio internacional, onde paira o espetro de “conflitos” graves e prolongados entre os Estados Unidos e outras grandes economias mundiais.

Esses “riscos negativos significativos” que envolvem as novas previsões ditaram uma revisão em baixa do crescimento da zona euro, de 2,3% na primavera (maio) para 2,1% agora.

Moscovici teme “uma escalada ainda maior de medidas protecionistas” e constatou que “as guerras comerciais não produzem vencedores, apenas vítimas”.

Esta correção no crescimento europeu também ajuda a explicar o acerto feito aos números de Portugal, já que a Europa é o grande mercado das exportações portuguesas, além de ser uma fonte importante de investimentos.

No entanto, estas novas contas da CE acabam por colocar novamente o país em rota de convergência com a zona euro. Portugal volta a crescer ligeiramente (uma décima) acima média europeia.

Em relação a 2019, Bruxelas manteve a projeção para a economia portuguesa nos 2%; idem para a zona euro, que deve crescer ao mesmo ritmo no ano que vem.

Depois da chuva, cimento

Ainda sobre Portugal, a CE observa que “o investimento em equipamento continua forte e as perspetivas também são favoráveis, refletindo uma melhoria da saúde financeira das empresas, condições de crédito favoráveis de empréstimo e um aumento na capacidade de utilização [dos investimentos já realizados]”.

“Além disso, espera-se que o investimento em construção recupere após as fortes chuvas de março, como sugerem os dados melhores relativos às vendas de cimento no segundo trimestre deste ano”.

Neste pacote intercalar de verão, Bruxelas não se alonga muito mais sobre cada um dos países. Não avança, por exemplo, com novas contas para défice, dívida ou desemprego.

Recorde-se que há três meses, no diagnóstico da primavera, a CE advertiu que “é provável que o aumento do salário médio em Portugal seja parcialmente compensado por uma forte criação de emprego em atividades com salários abaixo da média”.

E disse esperar “que os indicadores do mercado de trabalho mantenham uma evolução positiva, embora a um ritmo lento”.

Ou seja, na tese da CE, Portugal vai continuar a ser uma economia relativamente barata do ponto de vista da mão-de-obra e isso vai permitir criar mais empregos e fazer descer o desemprego, ainda que devagar.

Cortes acentuados para Alemanha e França

Dois dos maiores parceiros comerciais de Portugal — Alemanha e França (as maiores economias do euro) — devem crescer muito menos em 2018 face ao que se esperava na primavera, alertou esta quinta-feira a mesma Comissão.

A economia alemã levou um corte no crescimento de 2,3% para 1,9%; os gauleses devem crescer 1,7% em 2018 em vez dos 2% previstos em maio, indicam as novas contas da Comissão.

Espanha continua a ser, no grupo dos países grandes, das economias com mais força, mas também foi alvo de uma revisão em baixa. O maior parceiro económico de Portugal deve crescer 2,8% em 2018 em vez dos 2,9% projetados na primavera.

(atualizado às 12h05)

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