Bruxelas cria plano para apoiar o hidrogénio verde, mas não convence os críticos

O hidrogénio representa, atualmente, uma pequena parcela do consumo total de energia, mas o objetivo da Comissão Europeia é que atinja os 14% até 2050

A Comissão Europeia quer colocar o hidrogénio no centro de sua ambição de alcançar uma Europa neutra em carbono até 2050, mas não faltam vozes críticas considerando que a atual tecnologia de extração está longe de ser verde.

A Comissão Europeia apresentou, esta quarta-feira, a sua estratégia para ajudar a tornar a Europa pioneira global nesta área, além de manter as suas ambições a nível climático. A ideia é usar o hidrogénio como fonte alternativa de energia para indústrias especialmente difíceis de descarbonizar, como a siderurgia ou os produtos químicos.

O plano conta com o forte apoio da Alemanha, e da sua gigantesca indústria, e será uma prioridade no fundo de recuperação pós-pandemia da União Europeia, atualmente em negociação.

"As estratégias adotadas hoje reforçarão o Acordo Verde Europeu e a recuperação verde e colocar-nos-ão firmemente no caminho da descarbonização da nossa economia até 2050", disse o vice-presidente executivo da UE, Frans Timmermans.

Ao contrário da gasolina e do diesel, o hidrogénio não produz poluição quando queimado, tornando-o um candidato promissor para um dia alimentar a economia global sem provocar alterações climáticas. Já é usado por alguns fabricantes de automóveis para alimentar veículos e também pode ser queimado para gerar eletricidade.

Atualmente, porém, a grande maioria do hidrogénio usado é um derivado do gás natural, cujo processo de extração não é nada amigo do ambiente, dado que produz metano que aquece o planeta.

A UE diz que o seu foco será no hidrogénio verde, produzido através da eletrólise da água por recurso exclusivo a renováveis, como a energia eólica. No entanto, essa tecnologia está, ainda, em fase experimental, portanto, durante um período de transição, Bruxelas admite explorar o hidrogénio produzido a partir de gás natural, mas com as emissões poluentes mantidas no subsolo.

Para tornar este plano realidade, Bruxelas pretende estabelecer uma Aliança de Hidrogénio Limpo, um consórcio de empresas, autoridades públicas e organizações não governamentais que ajudariam a direcionar o investimento. A ideia está sustentada na aliança de baterias de automóveis da UE, que incentiva as empresas europeias a investir e atender à crescente procura por baterias e postos de carregamento elétrico na Europa.

Mas os ativistas observam que muitas das grandes indústrias envolvidas são empresas de energia que desejam usar a infraestrutura já usada para o gás natural. "A Comissão deixou-se levar pela mediatização do hidrogênio por parte da indústria de combustíveis fósseis", diz Tara Connolly, ativista de energia da Friends of the Earth Europe, para quem os apoios da União Europeia se deveriam cingir apenas ao hidrogénio verde.

O hidrogénio representa, atualmente, uma pequena parcela do consumo total de energia, mas o objetivo da Comissão Europeia é que atinja os 14% até 2050. Bruxelas anuncia que esta transição será feita de forma gradual, e com uma abordagem por fases. Até 2024, a Comissão irá apoiar a instalação de, pelo menos, 6 gigawatts de eletrolisadores de hidrogénio renováveis na UE e a produção de até um milhão de toneladas de hidrogénio verde. De 2025 a 2030, a meta é tornar o hidrogénio uma "parte intrínseca" do sistema energético europeu, com pelo menos 40 GW de eletrolisadores de hidrogénio renováveis e a produção de até 10 milhões de toneladas de hidrogénio verde. Por fim, de 2030 a 2050, "as tecnologias renováveis de hidrogénio devem atingir a maturidade e ser implantadas, em larga escala, em todos os setores de difícil descarbonização".

Na apresentação da estratégia da União Europeia para o Hidrogénio, a Comissão Europeia destacou que este plano não só "abrirá caminho a um setor energético mais eficiente e interligado", mas ajudará ao desenvolvimento de economia mais forte. Os investimentos planeados, e realizados em articulação com o pacote de recuperação da UE e com o Acordo Verde Europeu, "têm o potencial de estimular a recuperação económica da crise do coronavírus", criando empregos e "aumentando a liderança e competitividades" europeias nos setores energéticos, que são, diz Bruxelas, "cruciais para a resiliência da Europa.

A estratégia estabelece 38 ações distintas para a criação de um sistema de energia "mais integrado" e que incluem a revisão da legislação existente, a concessão de apoios financeiros, a pesquisa e implantação de novas tecnologias e ferramentas digitais, bem como a orientação aos diversos Estados-membros sobre as medidas fiscais e de eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis, entre outras.

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