Comissão Europeia

Bruxelas contraria Centeno. Economia perde gás em 2018

Retoma "ganha ritmo" em 2017, mas faltam medidas que garantam mais músculo no emprego em 2018. em todo o caso, CE está mais otimista no desemprego.

O governo, no Programa de Estabilidade, projeta uma aceleração da economia e do emprego neste ano e no próximo. A Comissão Europeia, nas projeções da primavera, divulgadas nesta quinta-feira, concorda com o cenário para 2017, mas rejeita o otimismo relativo ao Produto Interno Bruto de 2018 e antevê uma desaceleração muito pronunciada no emprego desse ano.

No novo estudo, Bruxelas diz que a economia perde gás — depois de crescer 1,8% este ano, avança apenas 1,6% no próximo. E que o emprego também fraqueja — depois de aumentar 1,4% em 2017, sobe 0,9% em 2018. O governo projeta uma moderação na criação de emprego de 1,3% para 1% nestes dois anos em análise.

Portanto, a Comissão alinha a sua nova previsão de crescimento para o corrente ano (a do governo também é de 1,8%), revendo em alta, face a fevereiro último, a expansão do consumo privado (para 1,9%), do investimento (para 5,4%, embora com menor dinamismo da despesa em máquinas e equipamentos) e das exportações (que avançam 4,4% este ano, em vez de 4,1%).

Bruxelas sublinha que a retoma portuguesa “ganha ritmo” em 2017, mas também observa que muito dessa dinâmica beneficia de efeitos de arrastamento da atividade herdados da parte final de 2016, com destaque para o “investimento em construção”, que se propagou por 2017 a dentro.

Em princípio, a entrada de fundos europeus e o arranque do investimento público neste ano pode ajudar a contrariar o cenário menos otimista da Comissão relativamente a 2018.

A Comissão alerta que, sem novas políticas que impulsionem a produtividade e o aumento de capacidade da economia (dá o exemplo dos “constrangimentos” ao nível da capacidade do turismo), a riqueza interna não vai tão longe quanto diz o governo (1,9% de crescimento do PIB em 2018).

Bruxelas alerta também que “os riscos para a projeção continuam a estar inclinados para o lado negativo, tendo em conta que o sistema bancário ainda enfrenta desafios e que a vulnerabilidade da economia face aos desenvolvimentos externos é alta”.

No entanto, a CE está mais otimista que o próprio governo relativamente à trajetória da taxa de desemprego. Esta desce de 9,9% da população ativa neste ano (igual à do Executivo) para 9,2% em 2018 (o Programa de Estabilidade diz 9,3%).

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