Bruxelas. Portugal e Finlândia excluídos de revisão em alta do crescimento deste ano

Previsões da Comissão. Crescimento previsto nos 27 países da Europa (UE) subiu de nível entre maio e agora em todos menos em Portugal e Finlândia, que ficaram na mesma: 3,9% e 2,7% em 2021, respetivamente. Em Portugal, a culpa parece ser a variante delta que alimenta uma quarta vaga da pandemia.

Portugal e Finlândia são as únicas economias da Europa (União Europeia) que falharam uma promoção nas perspetivas de crescimento para este ano no âmbito das previsões de verão da Comissão Europeia (CE), divulgadas esta quarta-feira. Todos os ritmos de retoma foram revistos em alta face à primavera, menos nestes dois países.

De acordo com a CE, a economia portuguesa deverá, assim, crescer os já anunciados 3,9%. A Finlândia fica-se pelos 2,7% como anunciado em maio.

Já a zona euro como um todo beneficiou de uma revisão em alta importante do ritmo de crescimento para 2021. Em maio era 4,3%, agora o cenário promete um crescimento de 4,8% este ano.

Portugal deve crescer, então, como já se dizia há três meses, cerca de 3,9% este ano, valor que contrasta com a previsão recente do Banco de Portugal, que reviu fortemente em alta o cenário de crescimento de 3,9% (março) para 4,8%.

A nova previsão de Bruxelas também contraria o otimismo do ministro das Finanças, João Leão, que já referiu por diversas vezes que o crescimento da economia este ano poderia ser aumento para a casa dos 4%, ficando mais perto dos 5%.

Bruxelas menos otimista devido a quarta vaga da pandemia em Portugal

"O ritmo de recuperação foi travado pela reativação parcial de restrições temporárias em junho que foram desencadeadas pelo ressurgimento das infeções de covid-19", observa a CE no novo estudo dedicado a Portugal.

"No entanto, projeta-se que o PIB aumente 3,3% no segundo trimestre, após uma queda de 3,2% durante o confinamento mais estrito no trimestre anterior. Assim, espera-se um novo aumento do crescimento no terceiro trimestre, altura em que o turismo estrangeiro em Portugal tende a aumentar, ajudado pela campanha de vacinação na Europa e pela implementação do certificado digital covid-19 da UE."

Mas podia ter sido muito melhor para Portugal

Segundo a CE, "prevê-se que a dinâmica de crescimento europeu aumente devido a vários fatores. Em primeiro lugar, a atividade no primeiro trimestre do ano excedeu as expectativas" e "em segundo lugar, uma estratégia eficaz de contenção do vírus e os progressos em matéria de vacinação conduziram a uma diminuição do número de novas infeções e de hospitalizações, o que, por sua vez, permitiu aos Estados-Membros da UE reabrir as suas economias no segundo trimestre".

Em Portugal, isso verificou-se: houve contenção do vírus e progressos em matéria de vacinação, mas em junho muito do trabalho feito caiu por terra, com a variante delta a propagar-se rapidamente na região da Grande Lisboa e do Algarve e a alastrar já a outros territórios, como o Grande Porto.

O resto do ano

A Comissão conta com o efeito muito positivo do Plano de Recuperação e Resiliência português já neste ano e no próximo, assumindo que este levará a um aumento de nível do consumo e do investimento privado e público.

No entanto, há aspetos que complicam a retoma. O turismo recupera, mas não o suficiente para apagar todos os danos sofridos durante a pandemia.

E mais recentemente houve um ressurgimento de infeções que configuram já uma quarta vaga da pandemia, tendo sido levantadas outra vez restrições à economia e à circulação, com especial foco nos municípios da região de Lisboa. Entretanto, outros concelhos juntaram-se ao grupo porque a sua situação sanitária também piorou. No vermelho estão agora 45 municípios.

Bruxelas diz que "as exportações de serviços continuam condicionadas pelo setor de viagens internacionais e não se espera uma recuperação total no final do período de projeção".

Em todo o caso, "as perspetivas para as exportações de bens melhoraram face à previsão anterior. Apesar das restrições de mobilidade, as exportações de bens de Portugal aumentaram substancialmente no primeiro trimestre deste ano, ultrapassando os níveis anteriores à pandemia".

O produto interno bruto deve aumentar 3,9% em 2021 (igual à previsão de maio) e depois 5,1% em 2022, sendo que "a economia atinge o seu nível pré pandémico em meados de 2022".

No entanto, "os riscos continuam inclinados para o lado negativo devido à grande exposição do país ao turismo estrangeiro". Ainda assim, esta dificuldade poderá ser compensada pela recuperação da indústria transformadora que será puxada pelo aumento da procura global dirigida ao país.

(atualizado às 12h25 com mais dados e informações)

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