Comissão Europeia

Bruxelas. “Portugal suplantou as metas definidas pela Europa”

Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia. Fotografia: REUTERS/Vincent Kessler
Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia. Fotografia: REUTERS/Vincent Kessler

"Portugal pode sair dos Défices Excessivos, mas temos de confirmar que a redução do défice conseguida é clara e duradoura", disse Dombrovskis, na AR.

“Portugal suplantou as metas definidas pelo conselho europeu” nas contas públicas, no défice, disse Valdis Dombrovskis, que está em Portugal esta sexta-feira para uma série de encontros oficiais com deputados, parceiros sociais, membros do governo e Presidente da República.

Dentro de poucos meses “poderemos confirmar que o país está a avançar e que poderá sair do Procedimento dos Défices Excessivos, mas para isso temos de confirmar que a redução do défice conseguida [em 2016] é clara e duradoura”, declarou o letão.

Isso acontecerá em maio, com base em nova informação: os dados do défice oficial a apurar pelo Eurostat em final de março/início de abril e as projeções económicas da primavera (início de maio), explicou.

Na audição na Comissão de Assuntos Europeus da Assembleia da República no âmbito das avaliações do semestre europeu, o vice-presidente da Comissão Europeia voltou a elogiar alguns dos feitos do país nos últimos meses, mas deixou os recados de sempre.

“É preciso mais reformas estruturais” e “garantir que a redução do défice é clara e duradoura”, repetiu.

“Estamos a ver o desemprego numa trajetória descendente”; e apesar das projeções do governo para o défice serem mais otimistas do que as de Bruxelas (o governo diz 2,1% do PIB ou menos em 2016, Bruxelas ainda diz 2,3% num cenário de políticas inalteradas),Valdis Dombrovskis disse que “Portugal tem suplantado as metas definidas pelo conselho europeu”.

Valdis Dombrovskis insistiu que o país tem de “continuar com o esforço das reformas”, apontou as dívidas pública e privada “bastante elevadas”, no mercado de trabalho notou que “nos contratos a tempo inteiro, houve evolução, mas limitada”, no sector bancário, o malparado elevado mereceu novo aviso, mas resumindo tudo, “a situação económica está cada vez mais estabilizada”.

O vice-presidente da Comissão com o pelouro do euro deixou ainda um aviso à navegação. “A política monetária não resolve os problemas estruturais da economia, isso é tarefa dos governos” e a ajuda do BCE, que está a permitir manter as taxas de juro relativamente baixas, “não vai durar para sempre” pois o objetivo de Frankfurt é manter a inflação abaixo, mas próxima de 2%, relembrou o antigo primeiro-ministro da Letónia (saiu em 2014, ano em que foi nomeado para a comissão Juncker).

Quanto os preços subirem e colocarem essa meta em risco, o BCE subirá taxas de juro e o preço do dinheiro, complicando seriamente a gestão orçamental já que Portugal paga por ano mais de 8 mil milhões de euros em juros da dívida pública.

Na quinta-feira, ao final da tarde, mal chegou a Lisboa, Dombrovskis declarou aos jornalistas que “temos notícias encorajadoras para Portugal, como um crescimento mais forte do que esperado e um desemprego em diminuição”, mas que “ainda assim, Portugal tem pela frente alguns desafios económicos e sociais que necessitam de uma ação política decisiva”.

“Estou contente por debater com as autoridades portuguesas e com os parceiros sociais” estes assuntos e disse esperar que a economia “crie muitos e bons empregos para os portugueses”.

(atualizado às 12h30)

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