Previsões de Inverno

Bruxelas prevê crescimento estável na zona euro até 2021

Fotografia: Patrick Seeger / EPA
Fotografia: Patrick Seeger / EPA

"Os desenvolvimentos positivos estão a ser contrabalançados com eventos negativos", explica a Comissão Europeia nas previsões intercalares de inverno

A Comissão Europeia manteve esta quinta-feira a previsão de crescimento da economia da zona euro em 1,2% este ano e 2021, após consecutivas revisões em baixa, estabilização que atribui às repercussões económicas do novo coronavírus, contrabalançadas com melhorias no emprego.

Em causa estão as previsões económicas intercalares de inverno do executivo comunitário, hoje divulgadas em Bruxelas, que apontam para um “crescimento constante e moderado” de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2021 na área do euro, mantendo inalteradas as anteriores projeções do outono do ano passado.

No conjunto da União Europeia (UE), também se regista uma tendência de estabilização, de um crescimento de 1,4% do PIB este ano e no próximo, mantendo assim as previsões económicas de outono de 2019.

Bruxelas explica no documento que “as perspetivas para 2020 e 2021 permanecem inalteradas desde o outono porque os desenvolvimentos positivos estão a ser contrabalançados com eventos negativos”.

Assim, apesar de realçar a “criação contínua de emprego, o crescimento robusto dos salários e uma combinação das políticas [monetárias] de apoio”, o executivo comunitário admite que “o ambiente externo continua desafiador”, gerando então esta situação de estabilidade.

Um dos principais fatores externos desfavoráveis apontados por Bruxelas é o surto do novo coronavírus, que “gerou incertezas sobre as perspetivas de curto prazo da economia chinesa e sobre o grau de rutura nas fronteiras num momento em que a atividade de manufatura a nível global permanece em níveis cíclicos baixos”, de acordo com o documento.

A Comissão Europeia avisa que, “quanto mais tempo [o surto] dura, maior a probabilidade de existirem efeitos indiretos sobre o sentimento económico e as condições de financiamento global”.

Também a incerteza nas relações comerciais entre Bruxelas e Londres, após o ‘Brexit’, pesou nesta equação, adianta o executivo comunitário

Sobre esta questão, a instituição aponta que, apesar da concretização da saída do Reino Unido da UE no passado dia 31 de janeiro, ainda existem “incertezas consideráveis sobre o relacionamento de longo prazo [entre os dois blocos] e a possibilidade de uma mudança abrupta nas relações comerciais no final do ano”, caso não haja um acordo comercial até essa altura, que é quando termina o período de transição.

Outros fatores externos que condicionam, de momento, o crescimento económico europeu são, de acordo com a Comissão, as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China – que ainda assim estão mais reduzidas -, a incerteza da UE em relação às políticas comerciais norte-americanas, a agitação política e social na América Latina e ainda as tensões geopolíticas no Médio Oriente.

Nas previsões, Bruxelas destaca que, por essa razão, a economia europeia deve ter “uma resiliência necessária a ventos contrários externos”, mas de momento as bases “permanecem insuficientes para impulsionar o crescimento a uma trajetória mais alta”.

O executivo comunitário estima, assim, que o ritmo de crescimento deva continuar a “depender do desempenho dos motores de crescimento interno e do mercado de trabalho”.

Relativamente à inflação, o outro indicador macroeconómico contemplado nestas previsões intercalares, Bruxelas antecipa melhorias face às anteriores projeções, estimando 1,3% na zona euro e de 1,5% no conjunto da UE a 27 este ano.

Para 2021, a Comissão prevê 1,4% de inflação na zona euro e de 1,6% em toda a UE.

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