Previsões de Inverno

Bruxelas revê em baixa previsões de crescimento na UE

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Paolo Gentiloni, comissário europeu da Economia. Fotografia: EPA/ORESTIS PANAGIOTOU

Comissão Europeia deu a conhecer as previsões de inverno, com uma redução de 0,1 pontos percentuais no crescimento do PIB europeu. Estimativas para Portugal mantêm-se estáveis nos 1,7%

A Comissão Europeia reviu, em baixa, o crescimento para a Europa. Nas previsões económicas de inverno, esta quinta-feira apresentadas, Bruxelas aponta, agora, para uma evolução de 1,4% do PIB em 2020 e 2021 contra os 1,5% das previsões de outono. Também a previsão para a inflação é revista, com um aumento de 0,1 pontos percentuais nos próximos dois anos, com o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor na zona euro a subir para 1,3% em 2020 e 1,4% no ano seguinte, fruto dos aumentos salariais e das expectativas de subida dos preços do petróleo.

“As perspetivas para a economia da Europa são de crescimento estável, embora moderado, nos próximos dois anos. Isso prolongará o período mais longo de expansão desde o lançamento do euro em 1999, com correspondentes boas notícias ao nível do emprego”, destaca o comissário europeu para a Economia. Paolo Gentiloni fala em “desenvolvimentos encorajadores” ao nível da redução das tensões comerciais e no que ao ‘brexit’ diz respeito, mas reconhece que a Europa enfrenta ainda uma “incerteza política significativa”. Quanto ao coronavírus, diz que “é demasiado cedo para avaliar a extensão do seu impacto económico negativo”.

 

Quanto a Portugal, a Comissão Europeia manteve a estimativa de crescimento em 1,7% para este ano, duas décimas abaixo das previsões do Governo, bem como para 2021. Bruxelas estimou ainda em 0,4% o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), em cadeia, no último trimestre de 2019, prevendo que esse valor se mantenha nos três primeiros trimestres deste ano, até à subida para 0,5% no último trimestre de 2020.

Relativamente à inflação, a Comissão Europeia reviu em baixa a aceleração dos preços quer em 2020 quer em 2021, atualizando para 1,0% e 1,3%, respetivamente, diminuições em uma décima face às previsões feitas em novembro.

De acordo com a análise feita a Portugal pelo executivo europeu, nas previsões hoje conhecidas, “é projetado que a procura doméstica permaneça como o maior fator de crescimento no período em análise, ao passo que é esperado que a balança comercial tenha uma influência negativa amplamente estável”.

As estimativas de Bruxelas para o crescimento económico deste ano, mantidas face ao projetado em novembro de 2019, estão em linha com as do Banco de Portugal e do Conselho das Finanças Públicas (CFP).

Apenas o Fundo Monetário Internacional (FMI) é mais pessimista relativamente a 2020, prevendo uma aceleração do PIB de 1,6% em 2020, mas tanto a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), com 1,8%, como o Ministério das Finanças, com 1,9%, estão mais otimistas face aos desenvolvimentos da economia portuguesa.

Para 2021, as previsões da Comissão Europeia, de um crescimento de 1,7%, estão em linha com as da OCDE e CFP, mas o Banco de Portugal (1,6%) e o FMI (1,5%) são mais pessimistas.

Quanto à inflação, Bruxelas denota que a descida de 1,2% em 2018 para 0,3% em 2019, “significativamente abaixo da média da zona euro”, refletiu “a queda nos preços da energia, incluindo flutuações nos preços do petróleo, mas também várias mudanças regulatórias que afetaram as contas da eletricidade”.

“Adicionalmente, a inflação foi atenuada pelos preços de atividades relacionadas com o turismo, sobretudo hotelaria, bem como maiores constrangimentos regulatórios nos preços dos transportes públicos, educação e telecomunicações”, assinala o documento da instituição europeia.

A Comissão destaca que “os preços da habitação continuaram a crescer ao ritmo rápido de 10%”, e que “apesar do crescimento dos salários ser estimado em cerca de 3% em 2019, o seu impacto na inflação permaneceu limitado devido ao abrandamento do crescimento do emprego”.

Para 2020 e 2021, Bruxelas tem em conta “o desaparecimento gradual dos mencionados efeitos regulatórios e o esperado ritmo moderado do crescimento dos salários” para estimar a subida para 1,0% em 2020 e 1,3% em 2021.

As previsões de inflação para 2020 são de 0,5% para a OCDE, 0,6% para o CFP, 0,9% para o Banco de Portugal, 1,1% para o Ministério das Finanças e 1,2% para o FMI.

Em 2021, os preços deverão aumentar 1,0% segundo a OCDE, 1,1% segundo o CFP, 1,2% segundo o Banco de Portugal e 1,3% segundo o FMI.

 

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