macroeconomia

Bruxelas revê estimativas. Economia da zona euro deverá recuar 8,7% em 2020

Comissão Europeia, Bruxelas (REUTERS)
Comissão Europeia, Bruxelas (REUTERS)

Bruxelas revê estimativas de evolução da economia para a zona Euro e para a da UE como um todo, gerado pelo lento levantamento do lockdown.

Bruxelas não tem dúvidas. A economia europeia este ano deverá sofrer uma “profunda recessão” devido à pandemia do novo coronavírus. Em 2020 a economia na zona Euro deverá contrair até 8,7% e crescer 6,1% no próximo ano, enquanto a economia da União Europeia (UE) como um todo deverá recuar até 8,3%, antecipando-se um crescimento de 5,8% em 2021.

As previsões macroeconómicas intercalares de verão indicam uma contração da economia “significativamente superior” às previsões intercalares da primavera. Estas previam uma quebra de 7,7% para a zona Euro em 2020 e 7,4% para a UE como um todo.

A previsão para Portugal agrava-se, estimando-se uma contração de 9,8% do PIB, muito acima da anterior projeção de 6,8% e da do Governo, de 6,9%.

“Com o confinamento a começar a diminuir em maio, a atividade económica está lentamente a retomar, mas para muitas empresas, tais como companhias aéreas e hotéis, é expectável que a mesma permaneça bem abaixo dos níveis registados antes da pandemia durante um longo período. O PIB deverá assim recuar 9,8% em 2020, antes de recuperar em torno dos 6% em 2021”, aponta a Comissão, que adverte ainda para riscos sobretudo para o lado negativo, “devido ao forte impacto do turismo estrangeiro”, setor “onde as incertezas no médio prazo permanecem significativas”.

“O coronavírus provocou a morte de mais de meio milhão de pessoas em todo o mundo, um número crescente todos os dias – em algumas partes do mundo de forma alarmante. Estas previsões intercalares revelam o impacto económico devastador dessa pandemia. As respostas em toda a Europa têm ajudado a mitigar o impacto junto dos cidadãos, mas permanece uma história de divergência crescente, de desigualdade e insegurança. Por isso é tão importante chegar a um acordo rápido no plano de recuperação proposto pela Comissão – para injetar nova confiança e novo financiamento nas nossas economias neste momento crítico”, defendeu Paolo Gentiloni, Commissário para a Economia, citado em nota de imprensa.

O lento levantamento das medidas de lockdown na Europa está a adensar o impacto da pandemia na economia da União, mais do que o antecipado, tendo contribuído para a maior contração da economia no segundo trimestre. Contudo, “dados iniciais para maio e junho sugerem que o pior poderá ter passado. Espera-se que a recuperação ganhe tração na segunda metade do ano, apesar de permanecer incompleta e desigual nos estados membros”.

Se o choque na economia da UE é “simétrico”, na medida que a pandemia afetou todos os Estados membros, a força da recuperação em 2021 será “marcadamente diferente”. As diferenças entre países serão “ainda mais pronunciadas” do que as esperadas nas estimativas intercalares da primavera, avisa Bruxelas.

Inflação: 0,3% na zona Euro e 0,6% para UE

As previsões ao nível da inflação permanecem estáveis. Apesar dos preços do petróleo e produtores alimentares terem subido mais do que o esperado, o seu impacto deverá ser mitigado por uma estimativa de evolução económica mais fraca, bem como pelo impacto das reduções do IVA e outras medidas levadas a cabo pelos países.

Na zona Euro estima-se uma inflação de 0,3% este ano e de 1,1% em 2021; já para a UE como um todo, a estimativa é de 0,6% e 1,3%, para 2020 e 2021, respetivamente.

Estimativas que, avisa Bruxelas, têm riscos elevados, na medida em que a escala e duração da pandemia, bem como “futuros possíveis lockdowns”, continua desconhecida. As previsões assumem que as medidas de confinamento continuarão a aliviar nos próximos meses e que não haverá uma segunda vaga de infeções.

“Há riscos consideráveis que o mercado de trabalho possa sofrer feridas de longo de prazo do que o esperado e que as dificuldades de liquidez se possam tornar em problemas de solvência para muitas empresas. Há riscos para a estabilidade dos mercados financeiros e o perigo que os países membros não consigam suficientemente coordenar as respostas nacionais”, alerta Bruxelas. Uma falha de acordo de Brexit com o Reino Unido poderá resultar num crescimento mais baixo, em particular para o Reino Unido.

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