Ambiente

Fornecedores de multinacionais poluem 5,5 vezes mais

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Estudo mostra que se empresas da cadeia de abastecimento das multinacionais usarem mais 30% de energia renovável podem evitar-se emissões poluentes equivalentes às do Brasil e México combinadas.

Mais de mil milhões de toneladas métricas (gigatoneladas) de emissões de gases poluentes – o equivalente às emissões do Brasil e do México, combinadas – poderiam ser evitadas se os fornecedores das 125 maiores empresas multinacionais aumentassem o seu consumo de eletricidade renovável em 20 pontos percentuais, de uma média atual de 11% para 31%. Esta é principal conclusão de um estudo divulgado esta segunda-feira pela organização não-governamental Carbon Disclosure Project (CDP), no início da segunda semana da Cimeira do Clima da ONU COP25, em Madrid.

O relatório “Mudar a Cadeia” analisa dados de quase 7000 empresas fornecedoras de bens e serviços a 125 grandes compradores mundiais, como por exemplo a L’Oréal, Samsung Electronic e Walmart, e conclui que as emissões relacionadas com as cadeias de abastecimento são, em média, 5,5 vezes mais elevadas que as emissões diretas de cada empresa. Entre 2017 e 2018, as emissões globais de CO2 relativas apenas ao consumo de energia fóssil aumentaram de 36 para 37 mil milhões de toneladas métricas.

Ao mesmo tempo, refere o estudo, apenas 4% dos fornecedores (292 empresas) dão conta de metas reais para aumentar a percentagem de energia renovável consumida já em 2020. Em Portugal, empresas nacionais e internacionais estão já a apostar forte nas energias renováveis, como grandes cadeias de retalho (Jerónimo Martins e Sonae, entre outros) que estão a aproveitar as coberturas dos seus edifícios para instalar painéis fotovoltaicos para autoconsumo, e também a Ikea, que além da energia solar apostou também na compra de um parque eólico no país.

Para fazer face a este cenário, refere o documento, 31 multinacionais, entre as quais o Grupo Lego, a Accenture, AB InBev, BT Group, Signify, entre outras, com um poder de compra combinado de mais de 740 mil milhões de dólares – estão já agir para obrigar os principais fornecedores das suas cadeias a aumentar o consumo de energia renovável. Para começar, todas elas já assumiram o compromisso de integrar eletricidade 100% renovável nas suas operações, ao aderir à iniciativa RE100 (do The Climate Group, em parceria com o CDP) e estão agora a estender estas metas às respetivas cadeias de abastecimento.

Já do lado dos fornecedores, estes garantem que os riscos associados às alterações climáticas podem ter um impacto financeiro de mais de 900 mil milhões de dólares. Somam-se ainda mais 78 mil milhões relativos à insegurança no abastecimento de água potável e 16 mil milhões relativos à desflorestação.

“Usar eletricidade de origem renovável é uma das formas mais rápidas de reduzir as emissões e acelerar a transição energética. Os fornecedores podem começar por assinar o seu primeiro contrato de fornecimento de energia verde, com vista a chegar pelo menos até 20% do total de energia consumida. Já as grandes empresas têm de recompensar os seus fornecedores que adoptem estas medidas e dar vantagens nos contratos de abastecimento. É importante tornar a energia renovável como um fator de competitividade empresarial”, disse Sonya Bhonsle, responsácel do Carbon Disclosure Project.

O estudo revelou também que 42 grandes empresas multinacionais – com um pode de compra de 1,9 biliões de dólares – vão integrar métricas ambientais nas suas cadeias de abastecimento, já que os fornecedores que mostram preocupações ambientais são melhores parceiros de negócios.

Em Madrid continuam reunidos os líderes mundiais, em conversações e negociações sobre os planos nacionais de energia e clima que serão apresentados em 2020 com as metas necessárias para cumprir o Acordo de Paris e limitar o aquecimento global a 1,5 graus. Para isso, diz o CDP, é necessário atingir a neutralidade carbónica até 2050, como irá anunciar a Europa esta semana, com a apresentação do novo Green Deal.

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