Cadilhe: “Defendo a renegociação honrada da dívida pública”

Miguel Cadilhe
Miguel Cadilhe

Miguel Cadilhe, ministro das Finanças nas décadas de 80/90, defendeu hoje, durante as III Jornadas AEP/Fundação de Serralves, que Portugal deve tentar renegociar a dívida com a ‘troika’, para um prazo “muito mais alargado” e com uma “taxa de juro mais suportável”.

Essa “renegociação honrada da dívida” é “diferente do incumprimento por bancarrota” e impõe-se num momento em que, considera Cadilhe, a “austeridade está a tender para o muito pouco suportável e pode entrar em pouca efetividade”.

“Defendo a renegociação desde antes de a ‘troika’ chegar e recordo que «quem tudo quer tudo perde»”, alerta.

A negociação deverá ser “feita no recato institucional” e não “em debates de televisão ou na praça pública” e Cadilhe elege o atual responsável pela pasta das Finanças como negociador ideal. “Dificilmente teremos uma pessoa que, como ele [Vítor Gaspar] e com o reconhecimento externo que tem, poderá, suportado por uma diplomacia bilateral, conduzir as negociações”, refere.

Com a possibilidade de “pelo menos o que excede 60% da dívida” ser pago num prazo “muito extenso, quase de perpetuidade”, à semelhança do que o país já fez em 1981 e cujo pagamento terminou recentemente, acompanhada de “um cabaz de medidas estruturantes”, Cadilhe considera que será essa a solução para a atual crise.

“Temos de reduzir o peso do setor público, que está a retirar recursos ao setor privado. Olhando a dimensão do Estado, estamos longe do que deveria ser e temos um longo caminho a percorrer”, alerta, ainda. “Não estamos a fazê-lo pelo modo, ritmo, intensidade e profundidade que deveríamos fazer”, rematou.

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