Coronavírus

Calçado. 61% das empresas já têm encomendas para dois meses ou mais

Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens
Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens

Indústria começa a dar os "primeiros sinais de retoma", admite a APICCAPS. Sector vai investir 2 milhões de euros este ano no digital

Estão aí os “primeiro sinais de recuperação” na indústria portuguesa de calçado. Segundo os dados do inquérito de conjuntura semanal lançado, há três meses, pela associação do sector, a APICCAPS, para auscultar as empresas durante a pandemia, 61% das fábricas têm já encomendas para, pelo menos, dois meses. Mas ainda há 6% dos inquiridos que admite não ter trabalho para mais do que uma semana.

A confirmar esta evolução positiva estão os números das empresas fechadas: em abril chegaram a ser mais de 50% as fábricas que suspenderam a produção, na última semana de maio só 10% permaneciam, ainda, em lay-off. A redução das encomendas internacionais era a razão apontada por 81% dos inquiridos, mas as quebras ao nível do abastecimento de matérias-primas importadas era razão de preocupação em 67% das respostas. A APICCAPS admite que o número de unidades encerradas venha a sofrer nova redução esta semana.

“As perspetivas são um bocadinho mais otimistas, não deixando de ser uma situação de grande complexidade e preocupação”, refere o diretor de comunicação da associação. Paulo Gonçalves acrescenta: “Em termos práticos, foram dois meses que se perderam. Vamos procurar recuperar o que for possível, mas temos consciência que não iremos conseguir concretizar a previsão que tínhamos no início do ano de conseguir crescer em 2020. É mais ou menos óbvio que já não vamos a tempo disso”.

Além da corrida contra o tempo, há também a questão da evolução da pandemia. “O comércio começa a recuperar, mas de forma muito lenta ainda. Precisamos de reforçar a confiança dos consumidores, só assim se conseguirá dinamizar a economia”, sustenta. Recorde-se que os dados do World Footwear , a quebra do consumo de calçado rondará os cinco mil milhões de pares em 2020.

A abordagem aos mercados é uma dos “grandes condicionalismos” com que as empresas se deparam em tempo de pandemia. “Na última década, mais do que duplicamos as exportações para fora da Europa, mas, este ano, essa é uma estratégia difícil de implementar, porque a conquista de novos mercados e de novos clientes é praticamente nula. E, por isso, estamos a procurar aprofundar tudo o que são investimentos de natureza digital”, explica Paulo Gonçalves.

O sector irá investir, este ano, dois milhões de euros em promoção de marcas, e em particular no domínio online. “Este é um esforço que vamos ter de continuar a implementar no futuro. Não deixaremos de fazer feiras internacionais, quando estas voltarem, mas vamos precisar cada vez mais de instrumentos de comunicação alternativos e complementares”, sublinha.

A indústria do calçado terminou 2019 com uma quebra de 5,66% nas exportações, para 1.791 milhões de euros, mas tinha começado o ano em terreno positivo, com as exportações a crescerem 1,7% em janeiro. No acumulado do primeiro trimestre, a quebra foi de 7% para 430 milhões de euros.

 

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