MATÉRIAS PERIGOSAS

Camionistas dos combustíveis apontam para nova greve a partir de 12 de agosto

Vice-presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques. Fotografia: António Pedro Santos / LUSA
Vice-presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Pedro Pardal Henriques. Fotografia: António Pedro Santos / LUSA

As empresas de camionagem "continuam a não cumprir as promessas e a ultrapassar tudo aquilo que é legal e nós não aceitamos isto", diz sindicalista.

As promessas feitas em maio pelos patrões das empresas de camionagem não foram cumpridas pelo que os motoristas do transporte de matérias perigosas, como gasolina e gasóleo e outros materiais tóxicos, ameaçam com uma nova greve no próximo dia 12 de agosto, segunda-feira.

O I Congresso Nacional de Motoristas, que aconteceu este sábado em Santarém, decidiu avançar no próximo dia 15 com um pré-aviso de greve a partir de 12 de agosto e até entrar em vigor o novo Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) para o setor.

Alguns camionistas, reunidos em Santarém, chegaram a ponderar avançar para uma greve já no final de julho, mas a proposta que venceu é a de greve a 12 de agosto, até para haver tempo para as partes tentarem chegar a algum acordo até lá e o governo ter tempo para tomar medidas de prevenção caso não haja consenso.

Em declarações à SIC Notícias, à margem do I Congresso Nacional de Motoristas, que decorre este sábado em Santarém, Pedro Pardal Henriques, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), atacou os empregadores do setor, acusando-os de não terem cumprido as “promessas” feitas no pré-acordo de maio, que permitiu desanuviar um pouco a situação.

Os patrões, que têm sido representados pela ANTRAM – Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários neste diferendo, “aceitaram que havia um problema que tinha de ser resolvido, mas depois fazem promessas e continuam a não cumprir as promessas e a ultrapassar tudo aquilo que é legal e nós não aceitamos isto”, disse Pardal Henriques.

Recorde-se que em abril uma greve destes camionistas, que durou três dias, apanhou o país e as autoridades de surpresa, tendo provocado a rutura no fornecimento de combustíveis na maioria das bombas de gasolina.

“A greve não agrada ninguém nem agrada ao País, nem agrada aos motoristas, nem às empresas. É a bomba atómica que temos do nosso lado e as pessoas só partem para uma greve, e as pessoas têm que entender que os motoristas estão a fazer isto e a lutar por uma mudança na vida deles porque não estão satisfeitos com as condições, porque há mais de 20 anos que estas condições precárias se têm perpetuado e tem que haver uma mudança”, acrescentou o mesmo dirigente sindical, no congresso, este sábado.

A outra estrutura sindical presente no congresso de Santarém, o Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), concordou com a mesma ação de luta.

Também em declarações à SIC Notícias, Pedro Leal, dirigente do SIMM, disse “basta” e que a resposta ao impasse na concretização de um acordo laboral com a FECTRANS – Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações vai ter como resposta a greve: “Greve, exatamente, sem dúvida”, declarou o sindicalista.

“É altura de dizer basta e agora é o basta. Este congresso é o ponto de viragem disto tudo. Ou nós somos tratados como deve ser e com seriedade pelo outro lado que está numa convenção coletiva ou neste momento rompemos e partimos para aquilo que não queremos”, a greve.

Segundo a Lusa, o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas foi criado no final de 2018 e tornou-se conhecido com a greve iniciada no dia 15 de abril, que levou o Governo a decretar uma requisição civil e, posteriormente, a convidar as partes a sentarem-se à mesa de negociações.

Essa paralisação durou três dias e teve uma adesão muito elevada, tendo levado ao esvaziamento da maioria dos postos de combustível do país.

De acordo com a Lusa, o congresso, que contou com a presença de quase três centenas de motoristas, aprovou por unanimidade a proposta de CCT, apresentada pelos sindicatos Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIM).

A Lusa escreve ainda que esta proposta exige um aumento do salário base de 100 euros nos próximos três anos (1.400 euros brutos para 2020, 1.600 para 2021 e 1.800 para 2022), melhoria das condições de trabalho e pagamento das horas extraordinárias a partir das oito horas de trabalho, entre outras medidas.

“O novo acordo vai ser levado à reunião de dia 15 para continuar as negociações com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), a federação filiada da CGTP, FECTRANS, mediada pelo Ministério do Trabalho. Para a mesma reunião, os dois sindicatos vão levar um pré-aviso de greve, ameaçando paralisar a partir de dia 12 de agosto, por tempo indeterminado, enquanto não entrar em vigor o novo CCT”, diz a agência noticiosa.

O presidente do SNMMP, Francisco São Bento, disse à agência Lusa que este primeiro congresso não se destina apenas aos sócios dos dois sindicatos promotores, está “aberto a todos os motoristas de pesados, pois o que está em discussão diz respeito a todos”. O objetivo do congresso é, segundo o sindicalista, esclarecer os motoristas sobre as negociações em curso e ouvir as suas opiniões.

“As negociações estão ainda numa fase inicial, pois o processo tem sido muito moroso, contrariamente ao que nós gostaríamos”, lamentou há dias o mesmo dirigente.

Este sindicato tem cerca de 700 sócios. O setor dos camiões de mercadorias emprega cerca de 50 mil motoristas de veículos pesados de mercadorias, 900 dos quais conduzem veículos de mercadorias perigosas.

(atualizado às 19h50; alguns camionistas chegaram a acenar com greve no final de julho, mas o congresso acabou por decidir avançar com a data de 12 de agosto)

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