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Campo Aberto diz que nada obriga Câmara a aprovar El Corte Inglès na Boavista

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Fotografia: D.R.

Associação pede mais espaços verdes na cidade do Porto e lança petição contra a construção de um El Corte Inglès no terreno da antiga estação ferroviária da Boavista

A Associação Campo Aberto desafiou esta segunda-feira a Câmara do Porto a escolher entre “atafulhar” a cidade ou ter a coragem de arborizar os espaços que restam, sublinhando que nada a obrigada a aprovar um El Corte Inglès na Boavista.

Num comunicado publicado na sua página oficial, a Campo Aberto defende que o Plano Diretor Municipal (PDM) em vigor (de 2006), embora contivesse alguns aspetos positivos, continuou o erro das décadas anteriores ao não salvaguardar áreas para futuros espaços verdes.

Numa altura em que está em curso a revisão do PDM, cuja conclusão foi adiada para 2021, o executivo, assinala a associação, “poderá prosseguir e agravar os erros anteriores, continuando a ‘atafulhar’ a cidade, ou poderá ter a coragem (de que ficará responsável perante as gerações futuras) de travar a corrida à impermeabilização do que resta de solo livre, dedicando à arborização e vegetalização o que possa restar ainda de viável para esse fim”.

Num texto de apoio à petição ‘online’ contra a construção de um El Corte Inglès na zona da Rotunda da Boavista, a associação ambiental antecipa até os argumentos que possam vir a ser usados pela autarquia para justificar a aprovação de um centro comercial naquela localização, desmontando quer as questões financeiras, quer técnicas.

Segundo a Campo Aberto, mesmo que o PDM em vigor atribua capacidade construtiva ao terreno, o município não é obrigado a licenciar construções naquele espaço se “em causa estiverem interesses superiores da população no seu todo (e é evidente que estão, como refere o texto da petição)”.

Para além de minimizar a escassez de áreas verdes, a criação de um jardim naquele local, como defende a petição, pode ajudar a “evitar a intensificação da circulação automóvel já excessiva na zona”, reforçando “a politica de mitigação das alterações climáticas que o executivo municipal afirma ser a sua, contribuindo nomeadamente para atenuar as ‘ilhas de calor’ que o jardim ajudaria a dissipar”.

Quanto ao argumento da “impossibilidade financeira”, a associação refere que este é invocado quando há conflito de interesses entre o bem-estar dos cidadãos e empreendimentos imobiliários e comerciais, contudo, salienta que “o poder local pode decidir a favor do interesse dos cidadãos quando está empenhado nisso”.

A Campo Aberto entende que faz sentido um novo espaço verde ao lado do jardim do interior da Rotunda da Boavista, que “é um mais de atravessamento do que de permanência, devido ao desincentivo que é o trânsito intenso e ao enquadramento hostil para os peões”.

Para a associação, a questão que esta petição levanta “é uma oportunidade a não perder se se pretende aproximar o Porto, e não distanciá-lo mais”, da média europeia de espaços verdes por habitante, que se situa nos 42 metros quadrados, enquanto que no Porto andará “pelos 12 ou 13 [metros quadrados]”.

A petição ‘online’ criada no dia 27 setembro em defesa da criação de um jardim no terreno da antiga estação ferroviária da Boavista reuniu, até às 12:50 de hoje, 3.239 assinaturas.

No dia 04 outubro, a cadeia espanhola disse à Lusa que o terreno na Boavista, onde a empresa queria instalar em 2003 uma loja, “é uma localização estratégica” que “continua a fazer sentido do ponto de vista comercial”.

À data, o El Corte Inglès disse estar “a trabalhar no sentido de apresentar um projeto, precedido do necessário Pedido de Informação Prévia (PIP) que permita avaliar as possibilidades para aquele local”.

Para a cadeia espanhola, aquela zona da Boavista é uma localização estratégica e continua a fazer sentido do ponto de vista comercial”.

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