Coronavírus

Cancelamento de eventos pode levar a prejuízos até 250 milhões

(Orlando Almeida / Global Imagens)
(Orlando Almeida / Global Imagens)

Nas últimas semanas, um pouco por todo o País, foram cancelados eventos. E o valor da fatura pode chegar aos 250 milhões de euros

O surto do novo coronavírus, que começou na China, já alastrou praticamente a todo o mundo. A Europa é considerada agora o centro da pandemia. Se os turistas chineses que viajam para Portugal ainda têm um peso pequeno para o setor – tendo apesar de tudo alguns hoteleiros tido alguns cancelamentos de grupos – à medida que o surto galgou fronteiras e chegou à Europa, o contágio ao turismo, e atividades direta e indiretamente ligadas, aumentou.

O setor dos congressos, eventos e animação turística é um dos fortemente afetados. Portugal tem apostado cada vez mais no chamado turismo de congressos, que tem lugar muitas vezes na chamada época baixa e que ajuda a combater a sazonalidade. E a partir de meados de fevereiro, quando a propagação do Covid-19, começou a ganhar uma maior escala no Velho Continente, os receios levaram as pessoas a viajarem menos, quer a passeio, quer em grupo, o que representou o cancelamento de centenas de eventos que para os dias mais imediatos, quer para as semanas seguintes.

O setor diz agora estar “numa situação dramática” com a APECATE (Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos) a estimar que os prejuízos estejam “entre os 200 e os 250 milhões de euros, até à data e que aumenta todos os dias”.

António Marques Vidal, presidente da direção da APECATE, em comunicado, diz que “apesar de todo o trabalho que está a ser desenvolvido e das medidas já apresentadas, estas têm-se revelado insuficientes, para este sector tão específico. As medidas apresentadas, estão no caminho certo, mas algumas não têm em consideração a realidade do sector, colocando condições que não se conseguem cumprir, impedindo as empresas de ter acesso às mesmas e com isso serem ineficazes”.

A associação analisou a portaria publicada este domingo, e que define e regulamenta os termos e as condições de atribuição dos apoios imediatos destinados aos trabalhadores e empregadores afetados pelo surto, com o objetivo de manter postos de trabalho e mitigar situações de crise empresarial, e diz que “foi com enorme preocupação que se constatou que o teor da mesma, não dá resposta aos problemas atuais e tendo em consideração a presente data, já não evitará que as empresas que têm falta de tesouraria deixem de pagar os salários no fim deste mês, remetendo os trabalhadores para uma situação de salários em atraso com o consequente recurso ao Fundo de Desemprego o que na prática se irá refletir nas mesmas consequências de impacto financeiro para o Estado, ao qual irá acrescer um enorme impacto e alarme social potenciado ainda mais pela atual situação”.

Ao Dinheiro Vivo, na última semana, António Marques Vidal já tinha dito que a situação era catastrófica para o setor, dada a travagem a fundo que tinha sentido. “A situação é de catástrofe”, disse na altura. “O setor parou abruptamente aqui e lá fora e se os primeiros cancelamentos eram na ordem dos 40%, em 15 dias passámos a perdas de 100%.” Alguns eventos mantêm-se a aguardar melhor data, “não há novos pedidos”, confirma António Marques Vidal. “O impacto do abrandamento da economia vai fazer-se sentir nos eventos”, reforça o responsável, lembrando que Portugal era destino de congressos internacionais e encontros de quadros.

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