Candidaturas para economia circular ultrapassam a verba disponível

As candidaturas à economia circular ultrapassaram em três vezes a verba disponível, mas o ministro do Ambiente promete reforçar o valor disponível.

Entidades locais apresentaram quase 120 candidaturas aos apoios a projetos para reduzir desperdício ou reparar aparelhos, num total de três milhões de euros, três vezes mais que o valor disponível, e que o ministro do Ambiente admite reforçar.

"Termos 120 candidaturas é um sucesso superior ao esperado, vamos analisá-las, ver se a verba que temos é suficiente para pagar todas aquelas que venham a merecer este apoio", avançou esta quarta-feira à agência Lusa, João Matos Fernandes.

O governante, que falava à margem da conferência 'APED Retail Summit - Sharing the Future', que terminou esta quarta-feira em Lisboa, avançou que "não está posta de lado a possibilidade de reforçar" a verba disponível, transferindo montantes de outras áreas com menos adesão, dentro do Fundo Ambiental.

"Vamos ver se esse milhão de euros é suficiente para pagar todos os projetos que vão ser considerados com mérito, se não for e tivermos outros avisos menos bem-sucedidos do ponto de vista da procura, entendo muito natural reforçar essa verba para apoiar o maior número de projetos possível", especificou.

No final do prazo para apresentação de propostas, o Fundo Ambiental, que gere a iniciativa principalmente dirigida a freguesias chamada JUNTar, recebeu candidaturas que totalizam um investimento muito superior ao milhão de euros destinado a este aviso, com até 25 mil euros cada um.

O objetivo é apoiar projetos que contribuam para pôr em prática a economia circular através da redução de desperdício e da poupança de recursos, por exemplo, visando o aproveitamento de alimentos perto do final de vida ou a reparação de equipamentos elétricos.

Está em causa a transição de uma economia linear, em que são extraídos recursos à natureza, usados e deitados fora, para uma economia circular, com base na redução do uso dos materiais primários e na aposta na reciclagem e reutilização de produtos.

Para João Matos Fernandes, "o território e a proximidade são muito importantes quando se trata de economia circular e de processos que têm como objetivo mudar o comportamento das pessoas, isso não se faz por decreto".

As juntas de freguesia "são entidades preciosas e importantíssimas nessa alteração de comportamentos pela proximidade que têm às pessoas, isto é, aquele salão de festas ainda bem que existe, mas é uma pena que seja só usado quando há festas", exemplificou.

Por vezes, os consumidores têm produtos a chegar ao fim do prazo de validade e vão utilizá-los, mas também não sabem o que podem fazer para não serem desperdiçados, ou são confrontados com avarias nos seus eletrodomésticos que não sabem consertar.

A existência de organismos para a partilha de espaços que "fomentem o comércio local e de proximidade, que garantam a existência de oficinas de reparação, que promovam o fim do desperdício alimentar e a troca de bens alimentares, antes do seu fim de vida, mas já próximo, são boa parte dos projetos que as juntas de freguesia apresentaram", relatou.

"Fizemos muito para as motivar

, a ANAFRE tem um papel precioso na motivação", salientou o ministro do Ambiente.

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