Imobiliário

Carlos Costa avisa para riscos de euforia no mercado imobiliário

O Banco de Portugal adotou medidas para travar o crédito. Mas quer que agentes económicos interpretem os sinais dados pelo supervisor

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, defendeu a necessidade de se aplicar medidas para travar efeitos negativos na estabilidade financeira e prevenir o risco de euforia no mercado imobiliário e de crédito.

“São necessárias medidas que ataquem os desenvolvimentos sistémicos negativos resultantes da interação das decisões individuais, mesmo que fundamentadas – medidas que visem mitigar os efeitos sistémicos negativos sobre a estabilidade das instituições financeiras”, disse o governador numa conferência sobre supervisão comportamental realizada esta terça-feira.

Carlos Costa considera que mesmo que os agentes económicos tomem decisões racionais, isso não é garantia de que não venham a existir problemas para a estabilidade financeira. O governador explicou que “os agentes económicos não têm em conta e, portanto, não contemplam, as externalidades das suas decisões ou ações, em particular o risco sistémico”.

E explica que essa constatação “é particularmente relevante quando se desenvolvem situações de euforia no mercado, nomeadamente no mercado residencial e hipotecário”. O supervisor avisa que “a intensidade e a propagação de expectativas distorcidas de valorização de ativos são tanto maiores quanto menor for a literacia e a experiência financeiras de uma dada população”.

Para prevenir excessos na concessão de crédito, o Banco de Portugal fez recomendações que devem ser seguidas pelas instituições financeiras quando concedem crédito. Essas medidas entraram em vigor em julho deste ano. O supervisor quer que, na maior parte dos casos, os bancos não concedam um empréstimo à habitação superior a 90% à avaliação do imóvel. Definiu também que o peso das prestações do crédito, mesmo incorporando uma subida dos juros, não absorva mais de metade do rendimento das famílias. E quer prazos mais curtos no crédito.

Apesar desses travões, os bancos concederam mais de 900 milhões de euros para a compra de casa em julho, o segundo valor mais elevado deste ano. Carlos Costa apelou à capacidade para se “interpretar os sinais que resultem da intervenção das autoridades prudenciais”. E avisou: Como regra, uma menor capacidade de interpretação desta intervenção gera um maior risco de bolha de mercado e, por consequência, determina a necessidade de medidas prudenciais mais interventivas do lado da concessão de crédito, ou do lado da aplicação da poupança, para garantir a estabilidade financeira”.

Desde que aquelas medidas foram anunciadas que o Banco de Portugal indicou que iria monitorizar a sua implementação, no mínimo uma vez por ano. E tem avisado que caso as recomendações mostrem ser insuficientes para travar os excessos no crédito poderá tomar medidas mais duras.

(Atualizada às 11:30 com mais informação)

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