Carlos Costa: “conhecemos menos o país do que aquilo que pensamos”

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, disse hoje que se conhece menos o país do que aquilo que se pensa e comparou a realidade ao especialista de acupunctura que espeta a agulha sem conhecer os centros nervosos.

O governador do Banco de Portugal (BdP) falava durante a sua intervenção
no 20.º encontro da Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco (SaeR),
que hoje decorre em Lisboa, com o tema “A Nova Economia e as Novas
Formas de Financiamento”.

“Conhecemos menos o país do que aquilo que pensamos. Não podemos intervir de forma consistente sobre a economia se não a conhecermos. É como a acupunctura: se não conhecermos os centros nervosos e espetamos a agulha, isso até pode prejudicar”, disse Carlos Costa.

Acrescentou: “Especulamos muito sobre a economia, mas não a conhecemos. Estamos sempre a intervir sobre um corpo que não conhecemos”, reforçou Carlos Costa, dando agora como exemplo o caso de um doente que entra no bloco de urgência e sem radiografias é intervencionado “muito ao acaso”, produzindo-se efeitos contrários aos pretendidos.

Leia também: Banco de Portugal revê em baixa o crescimento para 2014

O responsável destacou a conclusão do programa de assistência financeira como “um marco importante no processo de ajustamento da economia portuguesa” e “o progresso assinalável na correção de desequilíbrios macroeconómicos”, mas sublinhou que “permanecem fragilidades que têm de ser resolvidas”, nomeadamente ao nível do endividamento do Estado, das empresas e das famílias e do desemprego estrutural.

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