Guerra comercial

Carne de porco, frutas e marisco portugueses não escapam às tarifas dos EUA

Donald Trump
REUTERS/Erin Scott/File Photo
Donald Trump REUTERS/Erin Scott/File Photo

Lista final de produtos europeus sujeitos a taxas suplementares às importações foi divulgada. Produtos portugueses taxados a 25%.

Os Estados Unidos anunciaram a imposição de taxas alfandegárias sobre os produtos importados da União Europeia. A medida, que recebeu o apoio da Organização Mundial do Comércio (OMC), vai afetar alguns produtos portugueses.

Esta quinta-feira, o Gabinete de Comércio Internacional dos EUA divulgou a lista final dos produtos que irão estar sujeitos a taxas suplementares de 10% e 25%, ao entrarem no país. Além dos queijos, também a carne de porco, manteiga, frutas e alguns tipos de marisco estarão sujeitos a uma taxa de 25% quando importados pelos Estados Unidos a partir de 18 de outubro.

Da longa lista de produtos, constam também produtos que Portugal não exporta para os Estados Unidos, é o caso da cereja ou dos citrinos.

“A medida do ponto de vista político é muito relevante. Mas em termos do setor dos laticínios, o impacto é pequeno”, adiantou Fernando Cardoso, secretário-geral da Fenalac – Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite. As exportações de laticínios para os Estados Unidos têm pouco peso nas exportações totais – totalizaram 5,8 milhões de euros em 2018, segundo dados da Fenalac.

“O que não quer dizer que não tenha impacto junto dos operadores”, aponta Fernando Cardoso.

Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), defende a necessidade de um acordo comercial com os Estados Unidos. “O que é de realçar aqui é que é muito importante que a União Europeia não perca a sua força negocial como bloco económico, não perca a sua força por causa da eventual saída do Reino Unido, para poder exigir que esses acordos internacionais sejam levados por diante.”

“Uma taxa de 25% é quase um boicote. A manter-se, as pessoas vão ter de, setor a setor, procurar mercados alternativos”, disse o representante dos agricultores.

O agravamento das taxas alfandegárias por parte dos Estados Unidos surge depois de um caso com 15 anos que envolvia alegados apoios estatais ilegais à fabricante aeronáutica Airbus. A OMC autorizou a aplicação das tarifas suplementares para compensar as ajudas da UE à fabricante Airbus. “Os Estados Unidos podem solicitar a autorização do DSB (Dispute Settlement Body) para tomar contramedidas em relação à União Europeia e a certos Estados-Membros, conforme indicado no documento WT/DS316/18, num montante total que não exceda os 7 496 milhões de dólares (6,8 mil milhões de euros)”, lê-se no relatório da OMC.

O executivo de Donald Trump vai impor também taxas aduaneiras de 10% sobre aeronaves e peças aeronáuticas importadas de França, Alemanha, Espanha e Reino Unido.

A Comissão Europeia prometeu, ontem, retaliar na mesma moeda. “Entendemos que, mesmo que os Estados Unidos, tendo obtido autorização da Organização Mundial do Comércio, optem pela aplicação de contramedidas agora seria míope e contraproducente”, referiu a comissária para o Comércio, Cecilia Malmström, em comunicado.

*Notícia atualizada às 15:47 com as reações da Fenalac e da CAP

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