Mobilidade Elétrica

Carregamentos rápidos na Mobi.E vão ser 10 vezes mais caros

Fotografia: João Girão / Global Imagens
Fotografia: João Girão / Global Imagens

A partir de 1 de novembro os utilizadores de veículos elétricos esperam pagar entre 5 e 10 euros para percorrer 100 km. Carregar em casa é mais barato

Quanto vai custar o carregamento de veículos elétricos na rede pública Mobi.E? Esta é a grande dúvida que ainda persiste depois do secretário de Estado do Ambiente, José Gomes Mendes, ter confirmado que a eletricidade consumida nos postos de carregamento rápido vai ser paga a partir de 1 de novembro, depois de sucessivos atrasos em 2017 e 2018.

Os tarifários estão ainda a ser preparados pelas empresas (operadores dos postos e comercializadores de energia) e vão ser anunciados a 15 de outubro, mas Henrique Sánchez, presidente da Associação de Utilizadores de veículos Elétricos (UVE), garante que “é expectável termos preços entre os cinco e os 10 euros por cada 100 km percorridos”.

Na visão do responsável, carregar o carro num posto rápido será assim 10 vezes mais caro do que num posto normal. Mais barato mesmo, garante, será carregar o veículo em casa, pagando os preços da eletricidade para uso doméstico. Neste momento a rede Mobi.E tem 59 postos de carregamento rápido e 550 postos de carregamento normal, que correspondem a cerca de 1250 tomadas. Foram emitidos mais de 8000 cartões de acesso à rede Mobi.E, mas apenas cerca de metade estão ativos.

De acordo com fonte do ministério do Ambiente, está em curso um projeto de expansão da rede a todo o território nacional, que prevê a instalação de 404 pontos de carregamento nos municípios que atualmente não dispõem de infraestrutura. “Adicionalmente, com o início dos pagamentos nos carregadores rápidos, prevê-se que haja uma expansão de postos de carregamento por iniciativa privada”. Até agora, as borlas na rede Mobi.E saíram dos bolsos das empresas no carregamento rápido (10 mil euros por mês no caso da Prio), e dos contribuintes nos postos normais (uma fatura média mensal de 29 mil euros).

Do lado dos utilizadores há já a expectativa que os preços da rede Mobi.E “sejam mais caros do que carregar o carro em casa e mais baratos do que abastecer um carro a gasolina ou a gasóleo”, refere o presidente da UVE, usando como referência os seus próprios consumos: “O meu carro consome o mesmo do que uma máquina e meia de lavar loiça. Em tarifa bi-horária, gasto 1,5 euros para fazer cada 100 km, carregando em casa. Comparando com o meu anterior carro, a gasóleo, pagava 9 euros para fazer os mesmos 100 quilómetros”.

Tanto a Mobi.E como o ministério do Ambiente não avançam ainda os valores que serão cobrados na rede pública de mobilidade elétrica. “As propostas comerciais dos comercializadores de eletricidade, bem como as tarifas de operação de cada um dos postos, serão divulgadas nas próximas semanas. Ambos operam em regime de mercado, podendo definir livremente as propostas que apresentam aos utilizadores”, diz Alexandre Videira, presidente da Mobi.E. Já fonte do ministério do Ambiente garante que as “questões específicas relativas a tarifários e contratos, serão respondidas a seu tempo pelos comercializadores de energia para a mobilidade elétrica”.

No entanto, Henrique Sánchez levanta uma ponta do véu. “Os tarifários dos operadores dos postos, por exemplo, vão variar muito: uns vão faturar por tempo de carregamento (ao minuto), outros por KWh abastecido, uns vão incluir uma taxa de ativação, tipo bandeirada de um táxi, outros não, uns vão ter preço comum para todo o território nacional, outros já disseram que vão fazer preços distintos por região”.

Os preços estarão obrigatoriamente afixados e os utilizadores vão saber quando custa carregar em cada local, mas o valor total do carregamento será uma incógnita e só virá descriminado na fatura, depois de somado o preço da eletricidade cobrado por cada fornecedor.

Para já, garante o presidente da UVE, são apenas três as empresas que já estão aptas para comercializar energia para a mobilidade elétrica – EDP, Galp e Prio – por questões que se prendem com a certificação das faturas.

Fonte oficial da EDP diz que a empresa já está a “preparar todos os processos e sistemas de modo a disponibilizar uma oferta comercial competitiva” e confirma que “o carregamento do carro em casa tenderá a ser bastante mais económico do que fora de casa por várias razões”. “Primeiro, porque muitos dos custos já estão cobertos pelo consumo da casa e não serão dependentes de mais consumo. Depois, parte dos custos são recuperados pela tarifa de potência (€/kW) que o cliente já paga pelo consumo da casa, mas que no carregamento fora de casa serão incluídos no custo da energia (€/kWh). Por fim, no carregamento fora de casa terá de pagar a taxa de utilização do posto”, sublinha a mesma fonte.

De acordo com Henrique Sánchez, “a fatura da mobilidade elétrica vai incluir ainda a taxa de acesso à rede, com um desconto subsidiado pelo Fundo de Apoio à Inovação, vai ter o Imposto Especial sobre o Consumo, mas não vai ter a taxa do audiovisual nem a taxa de gestão da Mobi.E”. O responsável antevê para este mês campanhas especiais e promoções por parte das empresas (descontos nas faturas da luz ou cargas rápidas gratuitas) para cativar os utilizadores dos 7000 veículos 100% elétricos que existem em Portugal, um valor que sobe para o dobro com os híbridos.

Uma coisa é certa, para já, sublinha a Mobi.E e o ministério do Ambiente: a partir de 1 de novembro, quem não tiver celebrado um contrato com um fornecedor de eletricidade não poderá mesmo carregar o carro nos postos de carregamento rápido. Depois de revelados os tarifários, os utilizadores terão 15 dias para celebrar um contrato para a mobilidade elétrica, que prevê a atribuição de “um cartão que dará acesso a todos os postos de carregamento da rede pública, independentemente do operador que detém o posto”, explica Alexandre Videira.

Ou seja, os atuais cartões da Mobi.E continuarão a dar acesso aos postos normais mas não aos rápidos, diz o responsável. Sobre os preços, Alexandre Videira explica que os utilizadores vão “pagar os valores acordados nos contratos estabelecidos” com os comercializadores, que englobam: o custo da eletricidade fornecida e a taxa de operação do posto definida pelo operador.

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