Casas usadas batem recorde. Há menos novas à venda

Em 2015 venderam-se 86 mil casas existentes, o número mais alto nos últimos sete anos. Novas foram pouco mais de 21 mil.

As vendas de casas usadas estão a bater recordes. No ano passado venderam-se 85 899 casas usadas, um aumento de 33,6% face a 2014 e o número mais elevado nos últimos sete anos (ver gráfico), quando o Instituto Nacional de Estatística (INE) iniciou esta análise. Casas novas foram pouco mais de 21 mil, uma subida de apenas 7,6%. E os preços também estão a subir.

“2015 foi o ano do mercado de casas usadas”, confirmou Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), em declarações ao Dinheiro Vivo. De facto, a subida nas vendas totais de imóveis foi feito muito mais à boleia das casas usadas do que das novas, de acordo com o INE.

Os números não enganam - em 2015 venderam-se 107 302 casas em Portugal, mais 27,4% que no ano anterior, sendo que 85 899 eram usadas e apenas 21 413 novas. Ou seja, apenas 20% das casas vendidas o ano passado são novas. Foi “o valor percentual anual mais baixo da série disponível”, neste caso, desde 2009.

Para Luís Lima, esta realidade explica-se com o facto de haver cada vez menos casas novas à venda. “O usado só é vendido porque não há novo. Não tem havido renovação de stocks e há zonas de Lisboa e Porto, como o Parque das Nações ou o centro histórico, respetivamente, que já quase não têm oferta. Até no Algarve, por exemplo, em Vilamoura, os stocks de novos estão a acabar”, explicou ao Dinheiro Vivo. E porquê? “Porque não há novos empreendimentos, não há construção. Os promotores portugueses desapareceram”, disse.

De acordo com as estimativas de Luís Lima, neste momento haverá entre 100 e 110 mil casas usadas e entre 70 a 90 mil casas novas no mercado e que se terá perdido entre 30% a 40% do stock de novas só no último ano e meio. E isso não significa que tenham sido vendidas, porque nos piores anos da crise, foram muitos os promotores que começaram a arrendar os apartamentos e moradias porque não havia quem as comprasse. Imóveis que, se e quando voltarem ao mercado de venda, já serão considerados usados.

Além disso, repara Luís Lima, muitas destas 70 a 90 mil casas novas que ainda estão no mercado, ou estão à venda há muito tempo e estão desatualizadas ou então ficam nas periferias, onde não há procura. “Estes imóveis têm de ir para o mercado do arrendamento e com rendas baratas. O Governo ainda não pensou nisso, mas podia dar incentivos a que isso acontecesse”.

Então e as reabilitações? É verdade que quando se reabilita, as casas passam a ser consideradas novas, mas diz Luís Lima que esses imóveis quase não vão para o mercado porque são poucos e caros e são logo absorvidos, mais por estrangeiros do que por portugueses. Segundo as contas do Dinheiro Vivo publicadas há três semanas, os preços das casas na Baixa de Lisboa aumentaram 30% em apenas um ano, e são quase todas casas reabilitadas.

Valor mais alto desde 2010

As mais de 107 mil casas vendidas o ano passado representaram transações de 12,5 mil milhões de euros, diz o INE. Foi, em ambos os casos, o valor mais alto desde 2010 (ver gráfico).

A explicação está no aumento da procura por parte dos estrangeiros, que compram casas mais caras, mas também dos portugueses. Não só porque os bancos estão a dar mais crédito, mas porque há mais interesse em comprar para depois arrendar.

Prova disso é que a subida do valor das transações se deveu mais ao aumento dos preços das casas usadas. “O valor das vendas de alojamentos novos tem mantido uma maior estabilidade do que as existentes. Esta situação é mais evidente para os últimos três anos, onde o valor das vendas de imóveis existentes mostra uma tendência crescente, sendo este segmento responsável pela recuperação evidenciada pelo mercado”.

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