conjuntura

Universidade Católica prevê menos crescimento em 2018 e 2019

António Costa, primeiro-ministro, e Mário Centeno, ministro das Finanças, num debate parlamentar sobre o OE2019. Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante
António Costa, primeiro-ministro, e Mário Centeno, ministro das Finanças, num debate parlamentar sobre o OE2019. Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante

UCP alerta para "riscos descendentes, agora mais centrados nos efeitos da incapacidade em se encontrar uma solução pragmática para o Brexit".

O crescimento real da economia portuguesa deverá ter ficado nos 2,1% em 2018 e a projeção de 2019 aponta para um abrandamento até 2%, indicou a Universidade Católica Portuguesa (UCP).

Recorde-se que o governo, no Orçamento de Estado de 2019 (OE2019), está a contar com um crescimento mais otimista, de 2,2% em 2019, mas isso foi em outubro. Entretanto, a situação externa degradou-se de forma notória.

Segundo o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP), na nova folha trimestral de conjuntura do 4º trimestre de 2018, neste período, “o produto interno bruto (PIB terá “crescido 0,5% em cadeia e 1.8% face ao período homólogo”.

“Desta forma, a economia portuguesa deverá ter mantido uma trajetória de crescimento moderado após os registos de 0,3% em cadeia e 2,1% na variação homóloga do 3º trimestre.”

Isto faz com que, no conjunto de 2018, “Portugal deverá ter crescido 2,1% após 2.8% em 2017, com a taxa de desemprego a fixar-se em 7% da população ativa (8,9% em 2017)”, diz a equipa de economistas da Católica. Em 2018, o governo estava à espera de um crescimento apenas ligeiramente superior, de 2,3%.

Meta do défice está em segurança

Já a meta do défice público do ano passado não fica em causa. “Em termos de política orçamental não são esperadas grandes surpresas, com os dados das contas nacionais do 3º trimestre a confirmarem a possibilidade de um défice próximo da meta de 0,7% [do PIB] para 2018”.

“O menor crescimento de 2018 reflete, acima de tudo, um ano de 2017 acima do crescimento tendencial atual. Ao longo do ano passado, e particularmente no segundo semestre, observou-se alguma deterioração do sentimento que se manteve, porém, acima da média histórica.”

“Prudência e moderação” em 2019

Relativamente a este ano, “o NECEP antecipa, agora, um crescimento de 2%”, que assim reflete “uma revisão em baixa de 0,3 pontos percentuais (pp)”. Isto é explicado pela “menor estimativa do crescimento tendencial, a que acresce o dado fraco do 3º trimestre do ano passado”.

Em todo o caso, apesar da perda de gás da economia, a taxa de desemprego vai continuar a cair, baixando de 7% em 2018 para uma média de 6,3% este ano.

O centro de pesquisas observa ainda “os indicadores de alta frequência aconselham prudência e moderação na leitura da presente conjuntura”. Para mais “é na frente externa que residem grande parte dos riscos que incidem sobre a economia portuguesa”.

O núcleo de estudos alerta para “riscos de pendor predominantemente descendente, agora mais centrados nos efeitos sobre a economia europeia da incapacidade em se encontrar uma solução pragmática para o problema do Brexit e também na escalada do protecionismo, embora as promissoras negociações em curso entre os EUA e a China”. “Também a política monetária se configura, agora, mais prudente, quer nos EUA, quer na zona euro”, acrescenta.

(atualizado às 17h50 com mais informação)

Fonte: Universidade Católica de Lisboa

Fonte: Universidade Católica Portuguesa

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