Católica prevê recessão de 4% a 20% em Portugal este ano

Universidade Católica calcula danos no PIB em três cenários. O central assume que a fase aguda da epidemia demora 3 meses e economia cai 10%

No melhor dos cenários, a economia portuguesa deve sofrer uma queda substancial de 4% este ano, num cenário central a recessão pode chegar a 10% e no pior quadro possível, em que a epidemia se prolonga, Portugal pode sofrer um colapso histórico na ordem dos 20% este ano (uma depressão económica cavada), estima o centro de estudos e previsões (NECEP) da Faculdade de Economia da Universidade Católica Portuguesa, numa nota enviada aos jornais esta segunda-feira.

Num "cenário central" (recessão de 10%) "a fase crítica da epidemia dura cerca de 3 meses"; num cenário pessimista (colapso de 20%) "o controlo da epidemia prolonga-se por 6 meses" e num cenário otimista "a fase crítica não se prolonga muito para além de abril" e a economia recua 4%.

O grupo de economistas desta universidade refere que "este último cenário toma, ainda, em consideração medidas adicionais e mais incisivas para além daquelas já anunciadas pelo Governo", mas assume que "qualquer um dos cenários corresponderá a um agravamento significativo do desemprego e em termos de perda do rendimento das famílias".

O estudo aponta para uma subida da taxa de desemprego dos 6,5% da população ativa em 2019 para 8,5% em 2020, num cenário "otimista". No quadro central, a taxa agrava-se para 10,4% este ano. E no pior cenário, o peso do desemprego dispara até aos 13,5%.

"Os únicos setores da economia com alguma proteção de emprego e rendimento são as administrações públicas, as franjas da sociedade delas dependentes e os setores considerados estratégicos no abastecimento de bens e serviços essenciais e a sua logística", mas "mesmo esses setores estão sujeitos a um risco de contração de atividade já que parte da procura produzida pode vir a não ser vendida nem paga por dificuldades de tesouraria por parte dos seus clientes diretos".

Zona euro afunda até 10% em 2020

O NECEP refere que "a pandemia da doença Covid-19 criou uma disrupção generalizada na economia mundial" e que "um colapso abrupto das economias desenvolvidas é agora o cenário mais plausível, se bem que subsista uma elevada incerteza sobre a dimensão e a duração da contração".

Nesse sentido, o núcleo de pesquisas projeta uma recessão de 2% na zona euro em 2020 (num cenário otimista), uma quebra de 5% (num cenário central) e um tombo de 10% (no cenário pessimista).

O centro de estudos da Católica observa ainda que "as decisões governamentais e dos bancos centrais influenciarão significativamente a atividade económica no curto prazo" e que "o Governo português anunciou já algumas medidas avulsas que deverão ser reforçadas para proteger os indivíduos, as famílias, as empresas e as instituições que, sem um auxílio imediato, correm sério risco de colapsar por via do previsível aumento do desemprego e da generalização dos incumprimentos financeiros e das falências".

O laboratório coordenado pelo professor Jorge Borges Assunção teme ainda que a seguir a esta crise sanitária e económica degenere numa nova crise financeira.

"Os mercados financeiros evidenciaram um elevado nervosismo nos últimos dias, com perdas severas nos índices bolsistas e elevada volatilidade. Desta forma, para além da uma crise sanitária e económica, poderá juntar-se uma crise financeira por via da dificuldade em assegurar o normal funcionamento dos mercados", diz o estudo.

Estes economistas observam ainda outros sinais que evidenciam bem a gravidade da situação.

"O anúncio quase diário de novas intervenções por parte da Reserva Federal Norte-americana (Fed) e do Banco Central Europeu (BCE) é também um sinal da velocidade de deterioração das condições económicas, bem como da profundidade desta crise".

Além disso, uma vez que é cada vez mais difícil fazer estatísticas e medir a atividade, os bancos centrais vão começar a "tomar decisões na ausência da informação agregada, precisa e atual".

Finalmente, o NECEP lança um repto aos alemães: "O papel de liderança da Alemanha na União Europeia é agora mais necessário do que nunca."

A Alemanha é o grande motor da zona euro e um dos que tem mais capacidade orçamental e económica para reagir com pacotes de estímulo de grande dimensão que ajudem a economia doméstica e, por arrastamento, toda a região da moeda única.

(atualizado 16h10)

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