Cavaco leva empresários à descoberta da Colômbia

Cavaco e o presidente colombiano, Santos
Cavaco e o presidente colombiano, Santos

O Presidente Cavaco Silva está a estudar uma visita à Colômbia,
em abril, de forma a coincidir com a Feira do Livro de Bogotá, em
que Portugal será, este ano, o país-tema. Embora a Presidência não
adiante pormenores sobre a visita, sublinhando que “não passa,
neste momento, de uma possibilidade”, a AICEP foi já
encarregada, como é habitual nestes casos, de iniciar o processo de
levantamento das empresas interessadas em se fazerem representar. E
tudo indica que esta será uma megacomitiva com os principais
empresários nacionais.

Prébuild vai construir hotel de luxo na Colômbia. Veja aqui

O
convite foi endereçado a Cavaco Silva diretamente pelo chefe de
Estado colombiano, Juan Manuel Santos, durante a sua visita a
Portugal em novembro. A Feira do Livro de Bogotá, o segundo maior
evento do género na América Latina, decorre de 17 de abril a 2 de
maio e Portugal far-se-á representar com um pavilhão de vários
milhares de metros quadrados, para o qual a Direção-Geral do Livro
e da Biblioteca endereçou já vários convites, embora não haja
ainda nomes confirmados.

Com 49 milhões de habitantes e
um crescimento médio anual da ordem de 5% na última década, a
economia colombiana atrai cada vez mais o interesse das empresas
portuguesas. A presença em grande na Feira do Livro é vista como
uma oportunidade de ouro para divulgar Portugal no mercado colombiano
e fazer passar uma imagem de modernidade do país. Do lado
colombiano, destaca-se o interesse de Germán Efromovich na TAP,
tendo sido o único candidato a formalizar uma proposta de compra da
companhia aérea portuguesa. Apesar de chumbado o negócio, o
empresário já afirmou que continua interessado na companhia aérea
portuguesa e vai mesmo apresentar nova proposta (embora noutros
moldes) quando o governo voltar à privatização da TAP – o
que vai acontecer antes do verão.

Do lado português,
Jerónimo Martins, Prébuild, Mota-Engil, Sonae Sierra, Vista Alegre
e Vivafit são algumas das empresas a apostarem na Colômbia, o
terceiro maior país da América Latina e a quarta maior economia da
região. Isto sem falar no grupo Pestana, que inaugurou em 2012 o
primeiro hotel em Bogotá, ou na Jerónimo Martins, que vai abrir 150
lojas no país até 2015.

Luís Araújo, administrador
do grupo Pestana para a América Latina, diz que o hotel se tem
revelado “uma ótima surpresa, com resultados melhores a cada
mês”. O grupo está atento a novas oportunidades em Bogotá,
mas também noutras cidades, nomeadamente nos hotéis de
praia.

Presente na Colômbia desde junho de 2010, onde
criou a Sierra central em parceria com uma empresa local para prestar
serviços na área dos centros comerciais, a Sonae Sierra prepara
agora o desenvolvimento de shoppings próprios e diz ter perspetivas
para “anunciar um investimento neste mercado em 2013”. Além
da “crescente estabilização política”, o porta-voz da
empresa destaca o “grande potencial de crescimento” nos
centros comerciais, dado que “a área bruta locável por
habitante é relativamente baixa” – menos de 40 m2 por mil
habitantes, contra 251 m2 em Portugal.

Também a Vista Alegre
Atlantis pretende reforçar a sua presença na Colômbia, estando
ainda a decidir se avança com o parceiro local ou se abre lojas
próprias. “Existe um segmento de alto rendimento que valoriza
muito os artigos de mesa e decoração europeus de qualidade.
Cabe-nos antecipar essa tendência cada vez mais forte”, diz
Nuno Barra, diretor de marketing, salientando que “ainda não há
datas porque está tudo em discussão e análise”.

Em
negociação com dois possíveis parceiros locais está a Vivafit,
pioneira em Portugal no conceito de ginásios só para mulheres. O
CEO Pedro Ruiz assume que o objetivo é abrir 100 lojas na Colômbia,
em dez anos. “É um mercado excelente para o fitness feminino”,
diz, sublinhando que “as mulheres dão muita importância à
forma física” e o mercado de health clubs “está bastante
desenvolvido no país, mas os preços são mais altos do que os
praticados em Portugal, com custos de pessoal, sociais e impostos
muito inferiores”.

A Alert, especializada em
soluções de software para a saúde, espera “ver concretizadas
em 2013 algumas oportunidades” no país. Paulo César Guimarães
destaca o “profissionalismo das pessoas e a qualidade das
instalações” no país que diz ser “uma estrela na América
Latina”.

A atestar o interesse crescente pelo país
– somos 52.o no ranking de fornecedores e 32.o no de clientes – está
a recém-criada Câmara do Comércio e Indústria Luso-Colombiana,
que em oito meses já tem mais de 60 associados. Rosário Marques,
diretora executiva, lembra as potencialidades “imensas” do
mercado na construção, desenvolvimento de infraestruturas,
tecnologias de informação e comunicação e a apetência para o
investimento estrangeiro em parceria com empresas locais.

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