sustentabilidade

CEiiA. Plataforma made in Portugal que protege o ambiente chega a Nova Iorque

(Ilustração: Vítor Higgs)
(Ilustração: Vítor Higgs)

Centro de Matosinhos mostra primeiro sistema de sustentabilidade mundial que cria moeda local para premiar quem emite menos CO2 para a atmosfera.

Chama-se AYR Platform é o primeiro sistema de gestão de sustentabilidade das cidades mundial que permite não só quantificar as emissões poupadas de CO2, como valorizá-las e, depois, transacionar créditos (com ajuda do blockchain) sobre o que se poupou. Pensado, criado e desenvolvido no CEiiA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto) em colaboração com as Nações Unidas (ONU), o projeto ambicioso quer criar uma verdadeira moeda local e incluir o máximo número de parcerias, das cidades às empresas. A apresentação oficial, depois de 23 meses de trabalho, com 70 a 80 pessoas envolvidas, é feita terça-feira, 14 de maio, em Nova Iorque, no evento Smart Cities New York, promovido pela ONU.

Ilustração Vítor: Higgs/Animação: Nuno Santos

“Testámos o sistema em Cascais e Matosinhos e há um potencial enorme de criar novos modelos de negócio que ajudem o ambiente até porque o valor das emissões poupadas tem um valor económico que pode ser transacionável, indexada à taxa de carbono”, explica-nos o CEO do CEiiA, José Rui Felizardo. O responsável do centro que nasceu na Maia em 1999 (está hoje em Matosinhos) deixa a questão: “Porque é que não podemos pagar o estacionamento com créditos de emissões de CO2 poupadas?”

Pedro Gaspar, diretor de Novas Tecnologias de Negócio do CEiiA, não esconde o entusiasmo com a ferramenta que é feita “para ter alcance mundial, mas que se adapte bem aos contextos locais”. A proposta chega a Nova Iorque com dois objetivos, “mostrar o trabalho de fundo feito com a ONU para a descarbonização” e “a procura de parceiros mundiais para o projeto, não só as cidades mas também as empresas privadas”.

Atualmente há várias empresas que pagam pelas emissões de carbono que produzem, o sistema tenta criar uma nova forma de sustentabilidade e começar a compensar os milhões de pessoas que poupam nas emissões. “A não criação de CO2 tem valor e deve ser recompensada com incentivos, ao contrário do modelo atual”, explica Pedro Gaspar, que lembra que não se trata de um comportamento passivo, mas sim ativo, de tomar decisões no dia a dia “que protejam o ambiente e o nosso planeta”.

O diretor explica que o projeto nasce da preocupação do CEiiA em “criar soluções contra as prejudiciais emissões de CO2 para a atmosfera, que têm consequências sérias para a saúde e produtividade, com os encargos nos sistemas nacionais de saúde”.

E como é que funciona?

Tudo será integrado numa app, que dá acesso a uma carteira virtual onde os AYR são depositados e podem ser usados nos serviços e produtos (sustentáveis) que os parceiros disponibilizarem. O valor de emissões poupadas é colocado num token (uma espécie de moeda) baseado na tecnologia blockchain, “o que torna o processo auditável, seguro e rastreável”. Osoftware usado é feito pelo CEiiA usando tecnologia open source até para “ser mais fácil e rápido de unir outras plataformas à do AYR”. “O mais importante é que os parceiros criem novos modelos de negócio em cima da nossa plataforma”. Daí que Pedro Gaspar considere o novo conceito de “uma autêntica revolução que coloca o ser humano no centro da sustentabilidade, ao contrário dos sistemas atuais”.

“Temos 11 anos, até 2030, para cortar 45% das emissões de CO2, se não fizermos isto as consequências para o ambiente serão dramáticas”. Por isso, apelida o AYR de: “um reforço, que somos todos nós (com a ajuda de uma recompensa económica), nessa batalha contra as emissões!” A métrica de sucesso “é a descarbonização e não ganhar dinheiro, embora é normal que exista uma taxa para nos ajudar em todo o desenvolvimento”, admite. Certo é que “a expetativa é alta”, faltam que os parceiros ‘chovam’ em Nova Iorque.

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