Centeno: "A política fiscal está mais equilibrada mas ainda há muito por fazer"

O ministro das Finanças esteve na Católica Lisbon, School of Business & Economics onde fez uma retrospetiva dos 10 anos da crise financeira.

O ministro das Finanças mostrou-se otimista com os passos dados ao longo da última década e com os resultados atuais da economia portuguesa e europeia. "Hoje ganhamos confiança e estamos mais maduros", analisou.

Centeno elogiou os números, referindo o atual crescimento económico, o recorde em termos de emprego e afirmou que "a política fiscal está mais equilibrada do que nunca" mas relembrou que "ainda há muito para fazer" e que é essencial "complementar o que começámos depois da crise".

Centeno garantiu ainda, na tarde desta segunda-feira, 17, que a dívida pública portuguesa não está a ser afetada pela desconfiança dos mercados financeiros sobre Itália. O ministro atestou que a situação atual face aos juros da dívida portuguesa está mais próxima de países como a Alemanha ou a Espanha.

Apesar do clima pouco favorável nos mercados italianos, o presidente do Eurogrupo disse acreditar que a pressão vai diminuir quando o Governo italiano apresentar o Orçamento para o próximo ano.

Convidado pela Católica Lisbon, School of Business & Economics para a conferência "10 anos após a crise financeira - o que mudou?”, o ministro das Finanças fez uma retrospetiva da última década, relembrando o difícil período em que Portugal esteve submetido ao programa de assistência económica.

"Entrámos numa espiral recessiva e tivemos de pedir a ajuda da Troika e de um programa de ajustamento. Foi tão difícil como estes programas o são sempre nestas circunstâncias", referiu, admitindo que a economia portuguesa "demorou a recuperar deste processo".

O também presidente do Eurogrupo sublinhou as dificuldades na caminhada dos últimos dez anos. "Os cidadãos portugueses mudaram substancialmente ao longo destes tempos difíceis, Foi muito difícil para os portugueses que tiveram de sair do país. Perdemos um quarto dos nossos jovens mais qualificados e isso foi algo que mudou a natureza do processo. É algo de que os políticos têm de se lembrar no nosso país", alertou.

Centeno assumiu que trazer mais jovens de volta para Portugal e talentos que emigraram é "obviamente um objetivo" uma vez que "nenhum país consegue recuperar de uma crise sem os seus trabalhadores e sem a geração jovem" e acrescentou que o Governo está em condições de discutir medidas para gerar mais empregos estáveis. O ministro apontou ainda para o esforço que o Governo de António Costa está a fazer neste sentido tendo já começado a agir, dando o exemplo da proposta de desconto no IRS para os emigrantes que decidam voltar ao país.

Num discurso comparativo, Centeno referiu que todos os países que se viram assolados pela crise económica e financeira estavam em situações diferentes e que, por isso mesmo, foi difícil encontrar uma resposta comum ao problema. "Demorou algum tempo para conseguirmos encontrar uma resposta e para percebermos como lidar com a situação", constatou.

 

 

 

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de