Centeno corta a fundo retoma portuguesa em 2021 para 3,9%

"Restrições são retiradas a partir do primeiro trimestre de 2021, mas atividade continua condicionada até ao início de 2022, altura em que solução médica eficaz estará plenamente implementada", espera o Banco de Portugal.

A retoma da economia portuguesa em 2021 foi fortemente revista em baixa pelo Banco de Portugal (BdP). O governador do banco central, Mário Centeno, revelou esta segunda-feira que a recuperação vai ser na ordem dos 3,9% no ano que vem, bem abaixo dos 5,2% previstos há seis meses, quando a economia estava a sair do confinamento geral.

A retoma da economia portuguesa em 2021 foi fortemente revista em baixa pelo Banco de Portugal (BdP). O governador do banco central, Mário Centeno, revelou esta segunda-feira que a recuperação vai ser na ordem dos 3,9% no ano que vem, bem abaixo dos 5,2% previstos há seis meses, quando a economia estava a sair do confinamento geral.

Segundo o BdP, "a economia portuguesa contrai 8,1% este ano [estimativa igual à avançada em outubro], iniciando, em 2021, uma trajetória de recuperação que se prolonga até 2023".

No entanto, a economia vai crescer menos do que se esperava, cerca de 3,9% em 2021. Mas depois avança mais do que o previsto em junho, cerca de 4,5% em 2022, calcula o BdP.

"As projeções mantêm a estimativa para o PIB de 2020 divulgada em outubro, devido à conjugação de dois fatores de sentido oposto: a recuperação no terceiro trimestre foi superior ao antecipado, mas a evolução da pandemia e das medidas de contenção levaram à revisão em baixa da atividade no quarto trimestre", explica o banco central no boletim económico divulgado esta segunda-feira.

Depois disto, "as projeções assumem que as restrições são gradualmente retiradas a partir do primeiro trimestre de 2021, embora a atividade permaneça condicionada até ao início de 2022, altura em que uma solução médica eficaz estará plenamente implementada. A atividade económica deverá retomar o nível anterior à pandemia no final de 2022", espera o banco central agora governado por Centeno.

Claro que esta retoma prevista pelo BdP assenta bastante nas decisões de política monetária, que permitem manter os juros em quase zero, nas medidas orçamentais de resposta à crise.

Melhoria envergonhada do mercado de trabalho

O banco central refere ainda que a recuperação "traduz-se numa melhoria no mercado de trabalho, perspetivando-se um aumento do emprego a partir de meados do próximo ano".

Mas é uma melhoria envergonhada. Em termos gerais anuais, o emprego deverá cair 2,3% este ano e depois quase estagna. Não avança nada em 2021 (0%) e em 2022 ganha uns meros 1,3% e no ano seguinte fraqueja, subindo apenas 0,9%.

Sem grande criação de emprego, e mesmo com fundos europeus e subsídios a fundo perdido, a taxa de desemprego aumenta para 7,2% da população ativa em 2020 e ainda piora para 8,8% em 2021. Em 2022, o alívio do desemprego pode ser apenas marginal, para cerca de 8,1%. Portanto, o desemprego alto veio para ficar durante alguns anos.

Próximos subsídios a fundo perdido mais decisivos do que no passado

Seja como for, todas estas previsões estão fragilizadas por uma "elevada incerteza, estando dependentes da evolução da pandemia e da rapidez da vacinação em larga escala"; mas assentam no pressuposto que de que Portugal (e os restantes países europeus) vão ter bastante dinheiro (muito dele a fundo perdido) vindo da Europa para gastar em novos investimentos (verdes, de preferência) e novas tecnologias.

"Ao longo do horizonte de projeção (2020-23), os beneficiários finais em Portugal receberão em média 3,4% do PIB por ano relativos a subvenções europeias, um valor superior à média no período de 1989 a 2019 (2,6% do PIB), estimando-se que se atinjam máximos em 2022 e 2023", acena Mário Centeno.

"Estas estimativas são superiores às do Boletim Económico de junho de 2020 (2,5% do PIB, em média, no período 2020-22), essencialmente devido à incorporação do novo instrumento NGEU [Next Generation EU]", mostra o banco central.

Portanto, agora, e muito mais do que no passado, Portugal vai depender proporcionalmente mais das subvenções.

"Os fundos da UE são importantes para a recuperação da economia portuguesa, diretamente e pelo estímulo gerado na economia europeia", mas tendo em conta os "elevados montantes em causa, a utilização destes fundos constitui um desafio para todos os agentes envolvidos nos processos de planeamento, programação, implementação e avaliação e é crucial para a promoção de uma economia sustentável e resiliente".

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