Corrupção

Santos Pereira: “Centeno demonstrou incómodo com a minha presença”

Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O ex-ministro da Economia está a ser ouvido no Parlamento sobre a polémica com o capítulo sobre corrupção em Portugal no último relatório da OCDE.

O antigo ministro da Economia diz que foi Mário Centeno que travou a sua vinda a Portugal, em meados de fevereiro, para apresentação do capítulo sobre corrupção do estudo económico da OCDE sobre Portugal.

“Poucos dias antes do relatório ser apresentado, recebi um telefonema do secretário-geral da OCDE que me comunicou que tinha estado em contacto, pelo menos, uma ou duas vezes com o presidente do Eurogrupo, o ministro das Finanças, Mário Centeno, em que foi demonstrado ou manifestado um incómodo da minha presença no lançamento do relatório”, explicou Álvaro Santos Pereira aos deputados da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

O ex-ministro da Economia do governo de Passos Coelho ainda tinha esperança de vir para a apresentação técnica do capítulo sobre corrupção que estava marcada para o dia a seguir na Ordem dos Economistas, mas foi, mais uma vez travado. Secretário-geral da OCDE – não sei se foi ele que pensou isso ou se foi no seguimento da conversa com o presidente da Eurogrupo – sugeriu que essa apresentação técnica do relatório fosse feita numa altura posterior”, declarou Santos Pereira perante os deputados da 1ª Comissão.

Álvaro Santos Pereira foi aconselhado a não vir a Lisboa, à apresentação do estudo económico da OCDE sobre Portugal (Economic Survey of Portugal 2019), depois de ter havido uma “fuga de informação indesejada” de uma versão preliminar do mesmo, no início de janeiro.

O referido trabalho levantava muitas dúvidas e críticas sobre as medidas do governo do PS para combater a corrupção e melhorar o sistema de Justiça. O governo socialista não terá gostado e Santos Pereira acabou não vir a Portugal para esta apresentação sobre a economia portuguesa, como era seu hábito, por recomendação direta do seu chefe, Angel Gurría, o secretário-geral da OCDE, confirmou este último, numa conferência de imprensa, no dia 18 de fevereiro, em Lisboa.

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