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Centeno. “Em outubro, definiremos o resto da trajetória” em Portugal

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Desempenho de Portugal face às metas europeias "está muito associado à minha eleição como presidente do Eurogrupo".

Mário Centeno celebra hoje o seu primeiro aniversário como presidente do Eurogrupo. Diz estar “contente” com o seu trabalho e que ganhou “prática” a falar com o seu outro eu, o ministro das Finanças de Portugal. A parte da entrevista conjunta Dinheiro Vivo/TSF em que fala sobre Portugal.

Portugal foi alvo de considerações do Eurogrupo em novembro, como outros países, diz-se que o Orçamento do Estado de 2019 tem riscos de incumprimento, que podemos não cumprir o critério de redução da dívida. Como é que o ministro Mário Centeno responde às dúvidas do presidente do Eurogrupo Mário Centeno?

Com a prática, falamos um com o outro, pelos números que vamos mostrando. Tenho três notas. A grande notícia dos últimos tempos é que Portugal deixou de ser tema de discussão no Eurogrupo. Não foi assim no início deste meu mandato de ministro das Finanças. As referências a Portugal ocorrem no contexto da avaliação multilateral que a Comissão Europeia (CE) coordena em termos orçamentais. E Portugal é um bom exemplo das razões pelas quais devemos ver sempre essa avaliação com um certo grãozinho de sal. Porque temos sempre, sempre, tido resultados que superam largamente aquilo que é a avaliação que a CE faz a priori da nossa situação orçamental. Não me estou a queixar, só a constatar um facto e a dizer que não é por isso que o governo português não tem respondido em termos de estabelecer compromissos e clarificar aquilo que apresentamos internamente com a avaliação que é feita pela CE. Temos mostrado que estamos sempre muito para além e temos melhores resultados do que os que a CE a priori avalia. Este desempenho está muito associado à minha eleição como presidente do Eurogrupo, à valorização que é hoje feita de Portugal naquele fórum, e isso deixa-me muito contente, mas deve deixar particularmente contentes os portugueses porque esses resultados são o que tem permitido que o país hoje tenha um prémio de dívida inferior ao da Itália e esteja a muito poucos pontos base e Espanha. Ainda hoje estive a ver, estamos a 25/23 pontos base de diferença, o que é absolutamente extraordinário atendendo quer ao nível de dívida espanhola, que é muito inferior ao nosso, quer ao facto de Espanha ter apresentado valores de crescimento ligeiramente superiores aos portugueses nos últimos tempos. Isto significa que o mercado acredita muito na trajetória portuguesa.

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Portugal tem recebido elogios pela forma como tem feito a consolidação orçamental e até a revisão da despesa pública. Na questão da discussão das carreiras da função pública, os sindicatos querem muito mais do que o governo tem para oferecer. Como é que isto é visto no Eurogrupo?

A credibilidade da política orçamental portuguesa ganhou-se pelos resultados que apresentámos, mas porque os resultados são exatamente iguais aos que anunciámos previamente. Em política económica e nestas negociações, o caminho pode ser mais ou menos difícil – nunca é muito fácil – mas ganha-se ou não se ganha em qualquer das circunstâncias, nos tempos mais fáceis ou difíceis, quando seguimos o caminho que desenhámos e apresentámos. A previsibilidade e a estabilidade são dois dos ingredientes mais importantes para que a confiança aumente, o investimento aumente, a economia funcione.

Significa que?

Que foi essa batalha que ganhámos ao longo desta legislatura: apresentámos um caminho, ele foi seguido à risca, quem não acreditava nele de início viu que o governo estava a seguir esse caminho e foram-se juntando à ideia de que este é o caminho. Isso é o valor mais importante que Portugal conquistou nos últimos tempos: termos mostrado que cumprimos com o que apresentamos e aqueles que antes duvidavam foram-se juntando no trajeto. É a única maneira de também nestas negociações entendermos uma coisa: o que estava no programa do governo foi cumprido à risca, tudo o que não estava no programa do governo e que o governo debateu com a sociedade portuguesa foi de forma muito transparente avaliado e valorizado, mas nenhuma dessas matérias pode fazer com que o país saia do caminho que escolheu há quatro anos. Em outubro temos outra escolha para fazer e nesse momento definiremos o resto da trajetória.

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