Zona Euro

Centeno: “Europa tem um défice na discussão da desigualdade”

Mário Centeno, ministro das Finanças . (Fotografia:  Pedro Nunes/ Reuters)
Mário Centeno, ministro das Finanças . (Fotografia: Pedro Nunes/ Reuters)

O presidente do Eurogrupo diz que as reformas do euro não estão ameaçadas pela saída de Merkel ou pela contestação social em França.

A luta contra a desigualdade não está na agenda europeia, diz o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, este domingo, em entrevista ao jornal espanhol El País.

Em resposta sobre o que o grupo pode fazer para contrariar o euroceticimo, num momento de de crescente contestação social em França e de enfraquecimento da União com a saída do Reino Unido, o ministro das Finanças português diz que até há bons resultados para mostrar no pós-crise – crescimento acima de 1,5% em todos os países em 2017, por exemplo -, mas admite que o continente está a falhar no caminho para uma melhor distribuição de rendimentos.

“É verdade que a Europa, em comparação com os Estados Unidos, tem um défice na discussão sobre a desigualdade e a distribuição de rendimentos”, diz numa entrevista em que defende que as reformas da zona euro não serão ameaçadas quer com a saída do poder de Angela Merkel, chanceler alemã, quer com a atual oposição às políticas de Emmanuel Macron, presidente francês.

Centeno vê o assentimento recente dos líderes da UE à criação de um instrumento orçamental do euro, proposta avançada por França e Alemanha, como um sinal de que não há bloqueios na União, nem por parte dos países do norte da chamada Nova Liga Hanseática.

“Há que manter um clima positivo e de colaboração. França e Alemanha são um eixo essencial, mas a Europa não se limita a esses dois países. A Liga Hanseática faz propostas que consideramos. No debate, o importante é que não haja posições fechadas no não”, defende.

Espanha propõe a criação de um seguro europeu de desemprego, algo que não reúne consenso no Conselho Europeu. O presidente do Eurogrupo admite que a questão não é prioritária, mas diz que a discussão vai continuar. “Em termos de orçamento, estamos mais perto de uma decisão em questões de convergência e de competitividade, mas o debate sobre a estabilização continua”. O fundo comum de garantia de depósitos é outra questão “difícil”, admite.

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