Centeno. Há um desvio de 3 mil milhões na CGD que vem do tempo do PSD

"Desvio enormíssimo" no plano de negócios da CGD ascende a três mil milhões de euros e foi herdado da gestão do governo liderado pelo PSD

O governo liderado pelo PSD de Pedro Passos Coelho foi responsável por "um desvio no plano de negócios da Caixa Geral de Depósitos (CGD) superior a três mil milhões de euros", acusou o ministro das Finanças, numa audição parlamentar que decorre nesta quarta-feira. O PSD repudia as declarações, diz que não há qualquer buraco.

Em resposta a perguntas e acusações do deputado do PSD, António Leitão Amaro, que apontou para o fracasso da governação socialista, Mário Centeno rebateu quase todos os argumentos e foi mais longe na questão da CGD.

"Portugal precisa de um sistema financeiro a funcionar e foi isso que os senhores enquanto foram governo não conseguiram fazer", começou por dizer o ministro.

"A CGD necessita de mensagens de tranquilidade", mas "as cambalhotas ideológicas que o PSD tem tido nesta matéria não são maneira de atuar em relação a CGD", disse Centeno, referindo-se por exemplo à insistência dos laranjas em avançar com uma comissão de inquérito no banco público, e que acabaram por conseguir. A referida comissão deverá arrancar ainda nesta sessão legislativa.

Para o responsável das Finanças, "o que a CGD necessita é de um novo conselho de administração, que está em preparação para tomar posse, precisa de um novo modelo de governação, precisa de um novo plano de negócios".

"Um desvio enormíssimo"

E logo aí revelou que “Há um desvio enormíssimo no plano de negócios que o governo anterior geriu com a CGD, que atinge verbas superiores a três mil milhões de euros, e que tão diligentemente o governo anterior acompanhou".

No caso da CGD, têm sido noticiadas necessidades de capitalização (que podem ir ao défice ou não, podendo agravar antes a dívida) que podem ascender a quatro a cinco mil milhões de euros. A reestruturação do grupo deverá levar a uma redução de 2500 empregos na CGD até 2020.

Em resposta a pedidos de clarificação de Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, o ministro assegurou que a CGD vai ter de atuar e ser gerida como os outros bancos e que o plano de reestruturação que está a ser ultimado visa isso mesmo. "A CGD não pode estar dissociada do ambiente concorrencial" que existe no sector bancário. "São ajustamentos que não podem deixar de cumprir esses objetivos."

A audição regimental que decorre no Parlamento estava marcada para as 9h30, começou meia hora atrasada e depois os deputados ainda estiveram 25 minutos a discutir se deixavam o ministro fazer uma declaração inicial ou não. Centeno acabou por não fazer a tal declaração que tinha preparada por oposição do PSD; limitou-se a responder a perguntas.

PSD rejeita

O social-democrata Leitão Amaro afirmou que Centeno "aumenta a incerteza e a insegurança em relação à CGD quando fala num desvio de três mil milhões de euros no plano de negócios".

O ministro "não disse e devia ter dito" que o suposto "buraco" terá a ver com "eventuais diferenças face a previsões de rentabilidade devido à queda significativa da Euribor, que é muito boa para quem tem créditos à habitação, mas esmaga a margem dos bancos".

Além disso, "foram reconhecidas imparidades para limpar créditos gerados de forma irresponsável nos anos 2000".

O deputado do PSD disse mesmo que "nos últimos quatro anos, a Caixa melhorou a situação financeira" e que "o desvio de que fala não corresponde a um buraco".

Tal como o seu colega do PSD, Cecília Meireles, do CDS, também perguntou "quanto é que isto nos vai custar a todos e quando é que vai ocorrer a recapitalização".

O ministro das Finanças nunca respondeu porque, alegou, o processo ainda está em curso e em negociação com as autoridades europeias por causa da contabilização no défice.

Centeno disse que o governo está a defender em Bruxelas que a operação seja considerada um "investimento", podendo ir assim à dívida em vez do défice.

Presidente diz que já toda a gente sabia

O Presidente da República tem uma leitura mais seca do "desvio enormíssimo" referido pelo responsável das Finanças. Em declarações aos jornalistas, no Alto Douro, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "já toda a gente tinha noção de que, quando se falava da reestruturação e da capitalização da CGD, é porque havia falta de capital".

Ao contrário do que fez o PSD no Parlamento, Marcelo optou por nunca argumentar que a enorme carência de capital da Caixa existe por causa da queda da Euribor e imparidades reconhecidas recentemente por conta de créditos concedidos no passado e que nunca foram pagos.

(Atualizado às 11h10, substituindo o termo "negligentemente" por "diligentemente")

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