BPN

Centeno injetou em junho mais 600 milhões de euros no antigo BPN

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O primeiro-ministro, António Costa, e o ministro das Finanças, Mário Centeno. Fotografia: MÁRIO CRUZ/LUSA

Até 2017, a Parvalorem costumava receber do Estado 300 milhões de euros ao ano. Agora, recebe o dobro, confirma a DGO, tutela das Finanças.

Costumava ser no final do ano, mas em 2019 aconteceu em junho. O ministro das Finanças, Mário Centeno, deu luz verde para emprestar mais 600 milhões de euros à Parvalorem, um dos veículos financeiros que herdou os ativos mais complicados e problemáticos do antigo BPN.

Na execução orçamental de junho, a Direção-Geral do Orçamento (DGO) confirma que “em junho a despesa do Estado com ativos financeiros ascendeu a 1111,8 milhões de euros, repartindo-se, essencialmente, por empréstimos a médio e longo prazo à Parvalorem (600 milhões de euros) e ao Metro do Porto (292,9 milhões de euros), e por dotações de capital nos hospitais, EPE (151,7 milhões de euros) e no Metropolitano de Lisboa (22,6 milhões de euros)”.

Em junho, o dinheiro canalizado para o fundo ligado ao antigo BPN (que basicamente gere os restos da carteira de empréstimos do antigo banco de Oliveira Costa, muitos em incumprimento) representa mais de metade do esforço público com os chamados “ativos financeiros” — no fundo, empréstimos e injeções de capital.

Até 2017, inclusive, o normal era transferir no final de cada ano um empréstimo de cerca de 300 milhões de euros para a Parvalorem, mas isso mudou. Em 2018, a Parvalorem recebeu quase o dobro do que era hábito: 647,5 milhões de euros.

Este reforço terá que ver com o facto de a Parvalorem (assim como os outros dois veículos que ficaram com os escombros do ex-BPN, nacionalizado em 2008, Parups e Parparticipadas) ter de pagar aos seus credores.

Um dos maiores credores é precisamente a CGD, que incorporou os restos do BPN depois da nacionalização a 2 de novembro de 2008.

Esta transferência regular desde há muitos anos deve estar agora a ajudar a Caixa Geral de Depósitos a apresentar os tão desejados lucros e, ato contínuo, a entregar dividendos significativos ao Estado, o que acaba por compensar o esforço pedido ao contribuinte, ainda que parcialmente.

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