Eurogrupo

Centeno “marca golo” e pede à Grécia mais rapidez no ajustamento

Mário Centeno, preside ao Eurogrupo. Fotografia: EPA/STEPHANIE LECOCQ
Mário Centeno, preside ao Eurogrupo. Fotografia: EPA/STEPHANIE LECOCQ

Holandês eleito como presidente do poderoso Grupo de Trabalho do Eurogrupo. Moscovici diz que "Ronaldo da economia portuguesa marcou um belo golo na primeira reunião".

A Grécia mostrou avanços importantes na terceira avaliação ao seu plano de ajustamento e resgate, mas é “convidada” a completar as reformas que ainda faltam “bem antes” do final do prazo definido para o final do programa grego, aconselhou esta segunda-feira o novo presidente do Eurogrupo, o português Mário Centeno. Sem isso também não haverá dinheiro novo.

Segundo o também ministro das Finanças de Portugal, “as autoridades gregas mais do que alcançaram as metas orçamentais que estavam definidas durante os últimos três anos (2015-2017)”, mas é preciso ainda mais empenho “na ambiciosa estratégia abrangente de crescimento” e que, por isso, “são convidadas a finalizá-la em cooperação com as instituições bem antes do final do programa”.

Quer isto dizer que a Grécia ainda não pode receber a quarta tranche do empréstimo no âmbito do resgate, num valor global de 6,7 mil milhões de euros, em fevereiro.

Um golo de Centeno, mas em grupo

Portugal também foi tema desta reunião do Eurogrupo. Primeiro, o comissário europeu da Economia, Pierre Moscovici, que tem lugar sentado à mesa dos decisores, começou por elogiar, e muito, o desempenho do português Centeno à frente do conselho dos ministros das Finanças do euro.

Dirigindo-se a Centeno, que estava a seu lado, disse: “Bravo pela tua excelente gestão deste primeiro encontro”. “Digo-o como comissário e amigo. O Mário, que é o Ronaldo da economia portuguesa, marcou um belo golo no seu primeiro jogo, marcámo-lo coletivamente contigo, e saúdo a decisão do Eurogrupo de fechar a terceira revisão do programa grego”.

Depois, o socialista francês disse que a mais recente avaliação da Comissão a Portugal “confirma a melhoria da situação económica e financeira” do país, mas que continuam a existir “desafios”, como os créditos bancários não produtivos e malparados (NPL) e que é preciso “mais consolidação orçamental para reduzir a dívida pública”, que é ainda muito elevada. E “mais reformas”, claro.

Grécia tem de fazer mais

Mas a maior preocupação e o ponto que mais tempo terá levado no encontro deste Eurogrupo, foi mesmo a Grécia.

O país passou na terceira revisão do programa, mas faltam medidas. Para chegar ao dinheiro da quarta tranche do resgate, o governo de Alexis Tsipras tem de fazer a “implementação completa” de medidas previamente acordadas e só depois é que o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE, o fundo da zona euro que faz os empréstimos ao país) “deve fazer um memorando de entendimento suplementar e aprovar o desembolso da quarta tranche do programa do MEE, no valor de 6,7 mil milhões de euros”.

Se a Grécia fizer como está combinado, vai ser possível libertar 5,7 mil milhões de euros “em meados de fevereiro”, dinheiro que vai diretamente para “a amortização de dívida pública, a regularização de dívidas em atraso a fornecedores e para reforçar a almofada de liquidez do Estado grego”, explicou o diretor-geral do MEE, Klaus Regling.

Centeno elogia Portugal

“Obviamente, vamos saudar os desenvolvimentos da economia portuguesa”, disse Centeno aos jornalistas, antes da reunião inaugural como presidente do grupo dos ministros das Finanças do euro. Referia-se aos “resultados da sétima missão de supervisão pós-programa de ajustamento a Portugal, que decorreu de 28 de novembro a 6 de dezembro de 2017”, feita por uma missão da Comissão Europeia (CE).

Nesse estudo, divulgado na sexta-feira, a Comissão faz uma avaliação globalmente positiva do trabalho do governo nas Finanças Públicas e da economia do país. Esta está a crescer, o défice e a dívida pública aliviaram bastante em 2017.

No entanto, “a revisão da despesa pública que está no terreno desde março de 2016 é lenta a traduzir-se em medidas concretas”, lamenta a tal missão da CE que veio a Portugal em novembro e dezembro.

Um holandês a liderar os bastidores do Eurogrupo

O Eurogrupo desta segunda-feira também elegeu o holandês Hans Vijlbrief como presidente do Grupo de Trabalho do Eurogrupo, um coletivo que trabalha na retaguarda ou nos bastidores do conselho de ministros do euro, o Eurogrupo, sendo que este é, já por si, considerado como um arranjo “informal”.

A presidência e esse “grupo de trabalho” têm bastante poder uma vez que são os responsáveis pelo fornecimento da base “técnica” que depois é usada para legitimar as políticas seguidas pela zona euro, ditando assim diretamente a agenda do próprio Eurogrupo.

Vijlbrief é holandês e foi durante anos braço direito e conselheiro do antecessor de Centeno à frente do Eurogrupo, o ministro das Finanças da Holanda, Jeroen Dijsselbloem.

“Desde outubro de 2012, que Vijlbrief é tesoureiro geral [diretor geral do Tesouro] do Ministério das Finanças da Holanda e conselheiro principal do ministro das Finanças do país em assuntos relativos ao Eurogrupo”, diz uma nota oficial do Conselho.

Hans Vijlbrief sucede ao muito poderoso Thomas Wieser (austríaco), que liderou o Grupo de Trabalho do Eurogrupo durante cerca de seis anos (desde 2012). Ele é referido amiúde como um dos arquitetos dos duros programas de ajustamento impostos à Grécia, por exemplo.

O mandato de Vijlbrief começa a 1 de fevereiro e terá a duração de dois anos.

(atualizado às 19h45 com informação da conferência de imprensa)

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