défice

Centeno reconhece que economia vai crescer menos que o previsto

O ministro das Finanças, Mário Centeno. ANDRÉ KOSTERS / LUSA
O ministro das Finanças, Mário Centeno. ANDRÉ KOSTERS / LUSA

O ministro das Finanças aponta uma revisão ligeira do crescimento económico previsto para este ano. O PIB pode ficar duas décimas abaixo do previsto.

O ministro das Finanças admite que está mais otimista do que no início deste ano, mas o crescimento económico vai mesmo ser revisto em baixa. “O impacto que projetamos, até porque a economia está a comportar-se melhor do que no trimestre anterior, é uma atualização relativamente aceitável, idêntica àquela que fizemos no final do ano passado de duas décimas”, afirmou Mário Centeno, entrevistado esta terça-feira no Jornal da Noite da SIC. Ou seja, a previsão passa de 2,2% para 2%.

Mesmo com esta revisão, a previsão do governo continua entre as melhores das instituições que fazem projeções para a economia portuguesa. Apenas a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) mantém um valor mais alto, de 2,1%, mas é uma previsão feita em novembro do ano passado e que ainda não foi atualizada. As restantes situam-se entre 1,6% e 1,8%, sendo a pior do Conselho das Finanças Públicas.

Mas o crescimento de 2% também não é definitivo. “Não gostaria que ficássemos centrados num valor de 2%. Pode ser 2,1% ou 1,9%”, afirmou Mário Centeno, lembrando que “estamos num momento de grande incerteza.” O ministro acrescentou que “as próximas semanas, parecendo que não, vão ser muito importantes para projetarmos o resto do ano”, referindo as guerras comerciais dos Estados Unidos e o brexit.

Carga fiscal a subir

O ministro das Finanças reafirma que o aumento da carga fiscal se ficou a dever ao crescimento económico que arrastou a criação de emprego e a subida dos salários e das contribuições à Segurança Social. “80% desse aumento da carga fiscal é nos impostos em que as taxas baixaram. O IRS, o IVA e o IRC viram taxas reduzidas em 2018 e esses impostos representam 80% do indicador”, justificou Mário Centeno.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta terça-feira, a carga fiscal, medida pelos impostos e pelas contribuições sociais efetivas, aumentou para 35,4% do PIB no ano passado, acima dos 34,3% em 2017.

Mário Centeno sublinhou depois que os impostos indiretos tiveram um crescimento acima do PIB nominal, mas o “contributo deles para essa variação é muito residual”, acrescentando que em 2018 “os portugueses receberam 3,3 mil milhões de euros a mais de salários pagos, isto significou que as contribuições sociais cresceram 7,5%, como o PIB só cresceu 3,6%, o rácio aumentou”, concluiu o ministro.

Futuro passa para setembro

Questionado sobre a continuidade num futuro governo do PS, o ministro das Finanças adiou uma resposta para depois do verão. “Tenho para o mês que vem de fazer um Programa de Estabilidade, tenho que apresentar contas, de novo, ao país. A legislatura é um compromisso de grande importância e lá para setembro falamos sobre isso”, respondeu.

(atualizado às 21:40 com mais declarações)

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