Tecnologia

CeNTI. Portugal está na vanguarda da nanotecnologia

João Gomes é diretor de operações do CeNTI - Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes. 
Fotografia: Gonçalo Delgado/Global Imagens
João Gomes é diretor de operações do CeNTI - Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes. Fotografia: Gonçalo Delgado/Global Imagens

Fio de pesca que brilha no escuro, cortinas com luzes LED incorporadas ou rodapés inteligentes que monitorizam inundações são alguns dos projetos.

A Europa quer abolir o uso de crómio até 2030 e a Simoldes quer estar na vanguarda das soluções. Recorreu ao CeNTI – Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes, em Vila Nova de Famalicão, para produzir componentes plásticos com efeito cromado. O projeto, financiado pelo Compete 2020, ainda não terminou, mas os primeiros resultados já foram apresentados e os promotores estão confiantes. Este é apenas um dos exemplos, em 12 anos de história, dos mais de 170 projetos desenvolvidos pelo CeNTI, 70 dos quais estão ainda a decorrer. E que deram origem a mais de 50 pedidos ativos de patente.

É o caso do projeto LEDinTex, que permitiu a criação de tecidos com sistemas de iluminação inteligente integrados, desenvolvido em conjunto com o Citeve, o centro tecnológico da indústria têxtil, para a Têxteis Penedo, que está a produzir cortinas com esta tecnologia e espera vir a faturar um milhão de euros com a nova linha de produção piloto. E já há outra empresa interessada na tecnologia, o que levou à criação de outro projeto, o iParasol, para a criação de uma nova geração de guarda-sóis para a hotelaria de luxo e eventos, com capacidade de gerar a sua própria energia e de se mover em função da orientação solar. Já para não falar do projeto Invisible Network, desenvolvido em consórcio com 11 parceiros, entre os quais a YDreams, Amorim e a Sonae, que permitiu desenvolver uma nova geração de produtos interativos, através de computação invisível e eletrónica impressa, dotando a madeira, a cortiça ou o betão de interatividade, e que levou à criação de um berço biométrico ou de um rodapé inteligente, que monitoriza possíveis inundações e que, em breve, chegará ao mercado. Já em produção e venda, pela Cadilhe & Santos, está o fio de pesca com pigmentos fosforescentes que brilha no escuro.

Fundado em 2006, o CeNTI resulta de uma parceria dos centros tecnológicos da indústria têxtil e das indústrias do couro, o Citeve e o CTIC, e das universidades do Minho, do Porto e de Aveiro, a que se juntou, mais tarde, o CEiiA, o centro de engenharia e desenvolvimento de produto. Conta com uma equipa multidisciplinar de 90 investigadores, a que se juntam, todos os anos, mais 15 a 20 estudantes de mestrado e doutoramento. Tem 150 clientes ativos há mais de uma década e nos quais se listam nomes como a Amorim, TMG Automotive, Sonae, Continental, Riopele, Tintex, Têxteis Penedo, Secil ou Visabeira. E há clientes internacionais, no automóvel, mas não só. Em curso estão contratos com dois dos maiores fabricantes americanos de equipamento e de vestuário desportivo.

Na verdade, e embora o têxtil assegure, ainda, metade dos projetos, o centro de nanotecnologia tem três áreas macro de foco: a automóvel e a aeronáutica, a arquitetura e a construção e o desporto, saúde, proteção e bem-estar. Mais de 90% dos contratos são de desenho de produto e de prototipagem, embora se dedique, também, à investigação e desenvolvimento e à coprodução de pré-séries, dispondo de linhas-piloto dentro de portas para ajudar as empresas a validar os seus produtos.

“Entregamos um projeto chave na mão. Entregamos a solução e o caderno de encargos para a industrialização do projeto. E ajudamos a empresa a selecionar potenciais fornecedores”, diz João Gomes, diretor de operações do CeNTI. A economia circular e a digitalização, de processos e produtos, são as áreas de maior procura. No futuro, a aposta passa pela “criação de novas áreas de investigação e de linhas-piloto” dentro dos domínios da sustentabilidade e interatividade. “Queremos dar resposta a uma cadeia de valor global, respondendo aos desafios das empresas portuguesas, que, por sua vez, respondem aos desafios dos seus clientes.”

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