Turismo

Centro Histórico do Porto tem mais de 13 mil alojamentos devolutos

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Os hoteleiros não vêem no Alojamento Local uma ameaça. Defendem que é um produto que responde à procura turística

O Centro Histórico (CH) do Porto tem 13466 alojamentos devolutos e se retirarmos a antiga freguesia de Cedofeita (hoje integrada na União de freguesias do CH) contabiliza nove mil alojamentos vagos. Em contraponto, existem quase seis mil imóveis registados na atividade de alojamento local (1060 em Cedofeita). Já a nível nacional, contabilizam-se mais de 76 mil imóveis disponíveis para arrendar temporariamente, com o concelho de Lisboa a disponibilizar uma oferta de 15265 alojamentos e o Porto a responder por 6828.

Estes números foram ontem apresentados por Miguel Torres Marques, assessor jurídico da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), no debate “Alojamento Local/Hotelaria – Que futuro?”, uma iniciativa da Universidade Europeia, numa altura em que está prestes a entrar em vigor o novo regime legal para o AL e a possibilidade de limitar o crescimento deste produto turístico. Com a nova lei, as autarquias poderão definir zonas de contenção do AL por considerarem existir forte pressão de oferta.

Já Joaquim Ribeiro, empresário hoteleiro e presidente da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal – Porto e Norte, fez questão de sublinhar na sua intervenção que “70% da reabilitação do Porto foi fruto do AL” e que o turismo “não está a afastar as pessoas, temos efetivamente mais gente a viver no Porto e em Lisboa”, reportando-se aos últimos dados do Instituto Nacional de Estatísticas que apontam para uma ligeira subida no número de habitantes nas duas cidades. O empresário defendeu que “o Porto sem AL não teria oferta suficiente” e que este produto “permite a criação de pequenos negócios que contribuem para a economia”, “num país que não tem nada, não tem indústria, não tem agricultura, e agora estamos a diabolizar o turismo”.

Novas oportunidades
Também Manuel Marques, vice-presidente do grupo turístico Douro Azul, é da opinião que o AL “é potenciador da reabilitação urbana e constituiu uma oportunidade para a captação de novos segmentos de turistas”. Segundo afirmou, “só se confronta com a hotelaria no segmento luxo e não vejo qualquer problema, é uma valorização”. Contudo, não deixou de apontar desafios: “pouca experiência dos proprietários de AL, falta de compromisso com a estratégia nacional para o turismo, oferta limitada de serviços, falta de sofisticação na conceção dos espaços e o descontentamento das populações locais”.

Em jeito de conclusão, Joaquim Ribeiro sublinhou que a “existência de áreas de contenção faz alguma confusão numa economia de mercado livre”. O novo regime legal do AL entra em vigor a 21 de outubro.

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