Sucesso Made in Portugal

CEO da Frulact. “As novas geografias foram uma questão de sobrevivência”

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A Frulact dedica-se a concentrados de frutas para clientes internacionais, com as novas geografias a “alimenta” os negócios da empresa.

João Miranda, CEO da Frulact, garante que não consegue adivinhar o que vai acontecer em Portugal e no mundo em 2019, mas que “a nível nacional e internacional temos sinais que nos preocupam”.

Para começar, sublinhou, é um ano de eleições em Portugal e por isso teremos “políticas eleitoralistas”, além dos recorrentes recordes com a dívida nacional, que podem ser preocupantes se os juros dispararem.

Mas “Portugal não consegue controlar as variáveis externas. Dependente de como EUA se comportarem, ou a Rússia, a França ou o resultado do Brexit. São vasos comunicantes. Temos de estar preparados para a rapidez com que as coisas acontecem, e nas empresas exportadoras o impacto é ainda mais rápido”, disse.

“As novas geografias foram uma questão de sobrevivência. Era impensável ficar só em Portugal. Não poderia ser assim e a prova disso é que Portugal só representa hoje 2,5% para a Frulact”, disse João Miranda, acrescentando que a empresa portuguesa se bate “de igual para igual com gigantes do setor, em Marrocos, nos EUA”.

Contra tudo e contra todos, a empresa decidiu sair de Portugal na década de 90 do século passado.

“Primeiro mudar o chip e preparar para competir com multinacionais da área alimentar. Foi o primeiro impulso, depois tivemos de consolidar essa internacionalização”.

A Frulact tem fábricas em Portugal, França, Marrocos, África do sul e Canadá. São três continentes em cinco países, mas estrutura central está em Portugal, lembrou o CEO. O responsável lembrou que a Frulact é uma empresa familiar que tem contado com a “irreverência e a pragmática dos acionistas”.

“Felizmente, a família focou-se mais no projeto e não nos dividendos. É complicar ao meu pai e irmão, que são acionistas, que mais uma vez não vamos distribuir dividendos porque vamos continuar a investir. E os investimentos precisam de tempo”.

O CEO da Frulact revelou que a empresa está a “entrar num novo ciclo: da massificação de novo para o local”, porque o “consumidor quer coisas mais autênticas, onde se reveja, são hoje mais informados, conhecedores e exigentes”. Nos últimos 10 anos, entre 2008 e 2018, a empresas investiu 100 milhões de euros para crescer e suportar crescimento. Agora estamos a colher os frutos”, disse João Miranda, lembrando que o maior concorrente da empresa portuguesa fatura 63 mil milhões de euros. “Temos de nos mover nas pegadas deixadas pelos gigantes”, disse. Agora, a Frulact está investir menos em equipamentos e linhas de produção e de forma mais direcionada na digitalização e automação.

“Temos de rever o modelo de negócio. Durante 30 anos temos de ser dinâmicos. Alargar a nossa base de atuação. Não fazemos só preparadados, mas também aromas, bases vegetais, alternativas ao leite. O mercado pede estas alternativas”.

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