CEO da Pfizer: "A vacina vai fazer a diferença, mas as pessoas não podem relaxar nos próximos meses"

O grego Albert Bourla diz em entrevista à Time que os países mais pobres vão pagar o preço de custo da nova vacina da Pfizer/BioNTech, mas mantém desejo de ter "algum lucro" nos outros. "Acredito que os governos do mundo vão poder tornar a vacina gratuita para os seus cidadãos". Se aprovada, antes do Natal é possível já ter a vacina disponível.

Numa altura em que o pedido de aprovação da vacina da Pfizer e da alemã BioNTech já foi entregue nos Estados Unidos (vão-se seguir mais países em breve), o CEO da gigante farmacêutica americana Pfizer, o grego Albert Bourla, deu uma entrevista esta manhã à revista Time - transmitida online - onde explicou porque alguns países vão receber a vacina a preço de custo e outros vão dar "algum lucro" à Pfizer

Bourla abordou vários temas, incluindo como a empresa do casal alemão de origem turca Ugur Sahin e Özlem Türeci - criadores da BioNTech -, foram determinantes para a nova tecnologia usada na vacina agora criada que promete 95% de eficácia contra a covid-19. Assim que as agências dos vários países aprovem a vacina, "podemos começar a disponibilizar doses da vacina algumas horas depois".

"São um casal de cientistas muito apaixonado por este tema e altruístas, com quem começámos a trabalhar em 2018 numa vacina para a gripe e que nos tem ajudado a tornar esta nova vacina feita por RNA em realidade em tempo recorde", explica Bourla, que admite que o trabalho entre ambas as empresas para a vacina da covid-19 começou mesmo antes de haver contrato assinado.

O novo tipo de vacina insere fragmentos de moléculas (correspondentes à sequência genética de um gene) em células humanas de forma a reprogramá-las para produzir antígenos de patógenos para estimular uma resposta imunitária contra o vírus.

A outra vacina com resultados igualmente promissores, da farmacêutica Moderna, usa a mesma tecnologia ou método RNA e Bourla não tem dúvidas que a aprendizagem com este processo de vacina para trazer um novo paradigma e muitas descobertas na medicina, tornando "o desenvolvimento de tratamentos para cancro, doenças genéticas ou de coração incrivelmente mais rápidos".

O chairman e CEO da Pfizer - veterinário de formação - deixa alguns alguns avisos sobre o papel das vacinas em 2021. Se, por um lado, espero que em novembro do próximo ano já existem "muitas pessoas protegidas pela vacina" e "a vida seja mais fácil e próxima do normal", por outro pediu "paciência" aos cidadãos do planeta.

As boas notícias é que com os 95% de eficácia "é preciso menos tempo para desenvolver proteção na sociedade", daí que diga que "a luz ao fundo do túnel é real e brilhante". No entanto, "se começarmos a relaxar demasiado vai ser muito mau, não podemos relaxar nos próximos meses e até chegarmos ao nível de normalidade total precisamos de máscaras, distância e de nos protegermos a nós e aos que nos rodeiam", garante o responsável que não arrisca uma altura para essa normalidade total.

"Os próximos meses é que nos vão dizer qual o tempo de imunidade ou de proteção da vacina e vamos tentar seguir as pessoas vacinadas durante dois anos, para perceber se a proteção se mantém alta ou é reduzida", explica o CEO da Pfizer. A boa notícia é que graças à tecnologia de RNA usada nesta vacina "se a proteção começar a cair é possível administrar uma nova dose (depois das duas iniciais) para reforçar a imunidade", com "a expectiva a ser que assim se volte aos níveis de imunidade iniciais da vacina".

Daí que Bourla diga que pode fazer sentido que as pessoas sejam vacinadas "numa base anual, por exemplo, como se faz com as vacinas da gripe", para reforçar a imunidade.

O compromisso de ter 50 milhões de vacinas para os EUA prontas ainda este ano "parece viável", tal como o objetivo de produzir mais de 1,3 mil milhões de doses em 2021. "Assinámos contratos comerciais com países de todo o mundo, da Europa, à Ásia e América, mas ainda não recebemos qualquer valor monetário, isso só acontece quando as vacinas forem aprovadas", explica.

A distribuição das vacinas produzidas será "em várias fases", que dependem da aprovação e estratégia de cada país e Bourla indica que a produção que já está a ser feita "coloca todo o risco financeiro na Pfizer", "porque se falharmos, a vacina não for aprovada ou não conseguirmos produzir as quantidades previstas o ónus em nosso".

O responsável acredita que o método da maioria dos países envolverá primeiro a população em risco e os profissionais de saúde. Os volumes de doses deverão começar a subir no segundo trimestre de 2021 e incluir, em alguns países, outras pessoas além da população em maior risco (idosos e pessoas com doenças crónicas).

A expectativa é que os EUA possam ser possivelmente o primeiro país a receber a nova vacina, "provavelmente ainda durante este período de transição para a nova administração de Biden", ou seja, antes da tomada de posse de 20 de janeiro de 2021.

Apesar da Pfizer estar na lista de farmacêuticas que mantém o desejo de obter lucro com a produção das vacinas para a covid-19, Albert Bourla garante que isso "só acontecerá com os países que consigam pagar", já os países em vias de desenvolvimento "vão ter preços baixos, a valor de custo".

"Quero lembrar que não recebemos nenhum dinheiro e assumimos todo o risco da produção destas vacinas". Além disso, o responsável considera que o preço atual das doses - 19,5 dólares - é "acessível" e "vai permitir aos governos de todo o mundo de oferecerem gratuitamente a vacina aos cidadãos".

Bourla admite que o valor económico da vacina é "incalculável" já que "vai ajudar a evitar que milhões de empregos sejam perdidos e evitar perdas para a economia em muitos mil milhões", daí que indique que o valor das doses da vacina feita pela sua empresa "seja barato".

- milhões de empregos não perdidos ou os biliões de valor económico que será possível manter - das vacinas torna o preço de 19,5 dólares por dose muito barato.

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