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Montijo não é solução para a TAP. “Queremos resolver o casamento com a Portela”

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Antonoaldo Neves admite que o aeroporto de Lisboa caminha para uma situação de "catástrofe" e avisa que a TAP não cabe no Montijo

Os alertas surgem de várias frentes: o aeroporto de Lisboa está esgotado e é um dos principais problemas do turismo português e, consequentemente, das exportações. O CEO da TAP sabe que a situação é crítica, e deixa um alerta e um apelo.

“O país tem de fazer uma escolha para aviação: ou quer ser um grande hub global ou um hub secundário. Essa escolha requer compromisso e investimento. Estamos muito atrasados nesta questão. A discussão aqui não é “Montijo ou não Montijo”, é tudo. É a legislação, que está muito atrasada em muitos aspetos, é a regulação… As empresas não conseguem slots para virem para Lisboa. O Montijo é a escolha correta, mas todo o processo precisa de tempo”, sublinhou Antonoaldo Neves esta terça-feira na conferência do sétimo aniversário do Dinheiro Vivo.

Para o responsável, o Montijo “não é a solução de longo prazo, é a solução pontual”. “A Portela vai ser o hub de Lisboa nos próximos 10 anos. O volume de investimento necessário na Portela é maior que no Montijo. Precisamos de falar da Portela. É um aeroporto do tamanho de Orly (Paris) no número de passageiros. É maior que o Galeão, no Brasil, em número de passageiros. É difícil de acreditar que naquela infraestrutura se transportam mais passageiros que no Galeão. O país precisa de discutir a Portela e eu não sei qual o plano para a Portela”, lamentou.

Antonoaldo Neves quer evitar que se concretizem prognósticos como o de Francisco Calheiros, de que Portugal pode ser “o melhor destino do mundo com o pior aeroporto do mundo”.

“Para o desenvolvimento do país e da TAP o aeroporto é um problema catastrófico se isso acontecer. A falta de investimento na Portela foi levada a um limite… não dá para voltar atrás no tempo e fazer o investimento que devia ter sido feito”.

Antonoaldo Neves reforçou que o investimento num aeroporto implica “uma agenda de construção brutal” e que por isso “é importante haver trabalho articulado entre todas as partes interessadas, para que durante o período de investimento haja a menor perda possível”.

“A TAP não cabe no Montijo”

Confrontado com a falta de pontualidade do aeroporto de Lisboa, e da TAP em particular, Antonoaldo Neves salientou que a empresa tem, de facto, um problema nesse campo e é “a primeira a admiti-lo”.

“Tínhamos 30 pilotos a menos do que devíamos. Mas estamos a trabalhar e a investir nisso. Agora, em seis dias seguidos, tivemos uma pontualidade acima de 80%, isso era impensável há um ano. O aeroporto está esgotado e perde a capacidade de absorver atrasos”. A falta de uma saída rápida, explicou o responsável, faz com que em cada descolagem da Portela se percam 0,8 minutos.

“Para uma empresa que faz 400 voos por dia são cinco milhões de euros por ano”. Antonoaldo Neves considera que resolver o problema do aeroporto é um problema que “vai além do governo”. “O Montijo é importante, tem de ser feito, mas é a outra família, não é a nossa família. Tenho de resolver o meu casamento com a Portela e não namorar o Montijo, porque a TAP não cabe no Montijo. É uma ilusão discutir que um dia a TAP vai para o Montijo. O grande problema é a Portela. Aguardamos a proposta para que o investimento seja feito”, finalizou.

“79% das vendas da TAP são feitas no estrangeiro

Questionado sobre a responsabilidade que tem a TAP no que toca a levar o nome do país para todo o mundo, Antonoaldo Neves, CEO da transportadora, lembrou que “ainda na semana passada a TAP ganhou o prémio de melhor e maior exportadora de Portugal”.

Na intervenção de Antonoaldo Neves não faltaram números. 79% das vendas da empresa são feitas no estrangeiro, destacou. Em três mil milhões de euros de receitas anuais, 2,4 mil milhões provêm de fora. “A TAP vê as exportações como um elemento fundamental da sua existência e contribui para o desenvolvimento do país a vários níveis. No turismo mas também no emprego e na renda que geramos em Portugal. Não é qualquer setor que tem uma empresa onde mais de 1500 empregados têm um rendimento anual acima de 80 mil euros por ano. Nós temos. Através desses rendimentos a economia desenvolve-se”, afirmou.

“Foram vendidos mais de dez mil bilhetes numa semana para novos destinos como Chicago”

Segundo o CEO da TAP, dos 79% de clientes que compram bilhetes na TAP fora do país, vão para outros países que não Portugal. Um dado que Antonoaldo Neves considera como fundamental para a empresa continuar a investir com a meta de criar um “hub excecional”.

“É fundamental investir, não há outra forma. Estamos a contribuir para melhorar o valor da formação bruta de capital fixo em Portugal. Vamos trazer 37 novas aeronaves para o país. Estamos a falar de mais de dois mil milhões de euros de investimento”, salientou. Novos aviões trazem novas rotas. Entre os destinos já anunciados, Antonoaldo Neves destacou Chicago e Washington, para onde foram vendidos mais de 10 mil bilhetes numa semana.

“Mas mais importante que isso é melhorar o nosso produto, que pode competir com os outros hubs europeus se for mais eficiente. A competitividade é muito importante para uma exportadora. Hoje não temos produto que nos permita competir no cenário que vamos enfrentar no futuro. O investimento que estamos a fazer é para podermos ser competitivos”, concluiu o CEO da TAP.

Aposta da TAP nos EUA pode atenuar “resfriados” de outros mercados

Brexit, agitação em França, guerra comercial… são várias as perturbações na economia mundial que podem ter impacto na TAP no próximo ano. O CEO da companhia não está preocupado e já tem o plano de 2019 traçado.

“A margem de lucro da companhia está entre os 7% a 10%. Se há uma variação na procura de 3%, isso elimina metade do lucro operacional. Se há perturbações externas temos de estar atentos, por termos 79% do negócio fora de Portugal. Estamos a mitigar as perturbações no panorama com o Brasil, porque é de lá que vêm 25% das nossas receitas. Este ano foi difícil por ter sido ano de eleições mas para 2019 estamos com perspetivas positivas”, descreve Antonoaldo Neves.

O segundo maior mercado da TAP é Portugal, que concentra cerca de 20% das receitas. Também aqui as previsões são otimistas, “por ser um destino turístico, e isso não desaparece do dia para a noite”. Segundo o CEO da TAP, quando há perturbações na economia de um país, “a primeira procura que desaparece é a corporativa”, e não a turística. Ainda assim, para combater eventuais quebras na procura em países como Reino Unido ou França, a TAP vai apostar nos EUA.

“Do Brasil para a Europa temos 29% dos nossos assentos. Dos EUA para a Europa temos 1%. Se eu pegar num bocadinho que seja do mercado americano, a TAP cresce muito. É um mercado enorme, que pode servir para contrabalançar qualquer resfriado que aconteça noutro mercado. O Reino Unido representa 5% da procura da TAP, conseguiremos absorver o impacto do Brexit”. A queda do preço do petróleo nos últimos meses é outro dos fatores que contribui para o otimismo do CEO da TAP. “Em dois meses passou de 80 dólares para 50. Dá para perceber o impacto que tem”, concluiu.

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