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CEO mundiais mais confiantes do que nunca apesar de novos receios

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Já não é a crise mundial ou a mudança de hábitos dos consumidores que preocupa os líderes das principais empresas.

Os CEO das maiores empresas de todo o Mundo enfrentam o ano de 2018 com o maior nível de otimismo de sempre, de acordo com os resultados históricos do inquérito a CEO realizado pela PwC. Em Davos, a consultora apresentou as conclusões do 21º inquérito a 1300 CEO de todo o Mundo e descobriu que os principais receios dos líderes empresariais estão a mudar.

Ao todo, 57% dos líderes entrevistados pela PwC disseram acreditar que o crescimento económico global vai melhorar nos próximos 12 meses. Esse valor representa quase o dobro das respostas equivalentes do ano passado (29%) e é o mais elevado desde que a pergunta foi introduzida no inquérito da PwC, em 2012. O crescimento do otimismo foi mais acentuado nos EUA (59%), depois de se ter ficado pelos 24% durante as eleições de 2017; no Brasil, onde também subiu de 38% para 80%; no Japão, de 11% para 38%; e no Reino Unido, de 17% para 36%.

“O otimismo dos CEO relativamente à economia global deve-se aos fortes indicadores económicos. Com os mercados bolsistas em alta e a previsão de crescimento do PIB na maioria dos mercados pelo mundo fora, não é surpresa que os CEO estejam tão confiantes”, comentou Bob Moritz, administrador geral da PwC.

Em relação ao desempenho das empresas que representam, os CEO são mais cautelosos: apenas 42% estão “muito confiantes” nas perspetivas de crescimento durante os próximos 12 meses (38% no ano passado). Mas tal valor varia muito de país para país: na Austrália subiu de 4% há um ano para 46%, tal como na China subiu de 4% para 40%, enquanto o otimismo se limitou a recuperar depois das eleições nos EUA (subiu de 39% para 52%) ou diminuiu depois das negociações do Brexit, no Reino Unido (passou de 41% para 34%).

A maior confiança motivará a criação de emprego este ano, segundo 54% dos inquiridos, especialmente nos setores de saúde e bem estar (71%), tecnologia (70%), serviços para empresas (67%), comunicações (60%) e turismo (59%). Entre os principais requisitos para os novos empregos estão as qualificações digitais, que 28% dos CEO está preocupado não conseguir encontrar nos seus países, especialmente em África do Sul (49%), na China (51%) e no Brasil (59%).

Para resolver o problema, o investimento em ambientes de trabalho modernos, em programas de aprendizagem e desenvolvimento e parcerias com outros fornecedores estão entre as principais estratégias dos CEO para atrair o talento de que precisam. Na verdade, dois terços dos CEO acreditam que têm responsabilidade de formar os trabalhadores cujas funções sejam substituídas pela tecnologia e a Inteligência Artificial, cujo impacto será especialmente forte nos setores financeiro e segurador (24% dos CEO planeiam reduzir postos de trabalho) e da banca e mercado de capitais (28%).

Enquanto, há um ano, a segunda maior preocupação dos CEO de todo o Mundo era a incerteza do crescimento económico (a primeira foi e continua a ser o excesso de regulação para 42% dos inquiridos), subitamente surgem o terrorismo (41%, mais do dobro dos 20% de há um ano), a incerteza geopolítica (40%, era 31% em 2017) e as ciber ameaças (40%, com apenas 24% em 2017) no topo das ameaças ao crescimento. As mudanças de hábitos do consumidor perderam importância (26% em 2017 e 2018, mas passando da 8ª para a 15ª posição no ranking), bem como a volatilidade cambial (da 3ª posição para a 10ª este ano) ou dos preços das matérias-primas (era a 11ª preocupação e desapareceu). Surgem novas preocupações, como as mudanças climáticas (31%, mas chega a 54% na China) e o populismo (35%, sendo o mais elevado na Europa com 42%).

“A maior preocupação dos CEO sobre ameaças sociais mais vastas evidencia a forma como as empresas navegam num mundo cada vez mais fraturado. Os CEO de todas as regiões e países com que falamos reconheceram que as velhas formas de medir o crescimento e o lucro não vão funcionar por si só no futuro. Particularmente no contexto dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável, provavelmente iremos ver, nos próximos tempos, mais desenvolvimento de trabalho e de métricas que contemplam e comunicam os objetivos da empresa de forma relevante para os stakeholders do negócio”, comentou Bob Moritz.

De acordo com as conclusões da consultora, os CEO poderão adotar novas medidas de prosperidade que vão além do crescimento económico e abarcam o progresso social, fomentando a inclusão benéfica da tecnologia na sociedade, como na telemedicina ou no ensino à distância, intervindo na educação dos próprios trabalhadores para o futuro. As empresas terão, ainda, de comprometer-se com objetivos ao invés de se limitarem a vender bens ou serviços.

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