Crise combustíveis

Cepsa e Repsol não admitem trazer combustível de Espanha em camiões

A Cepsa tem 250 postos em Portugal

O Dinheiro Vivo apurou que a Repsol contrata empresas portuguesas para transporte. A petrolífera não tem planos para trazer produto de Espanha.

A meio desta quarta-feira, a Associação Nacional de Revendedores de Combustível (ANAREC) dava conta que cerca de 40% dos postos da rede nacional estariam já inativos ou em situação de pré-rutura de ‘stock’, com tendência para aumentar nas próximas horas.

O presidente da ANAREC, Francisco Albuquerque, mostrou-se também está preocupado com a situação do canal de revenda de gás engarrafado propano e butano, havendo já registo das “primeiras ruturas”, com tendência para agravar, uma vez que se trata “de um bem de primeira necessidade”.

Contactadas pelo Dinheiro Vivo, para fazer um ponto de situação sobre o estado de crise energética e o nível de risco laranja entretanto já decretado pela Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), a maior parte das empresas petrolíferas não responderam às questões enviadas esta quarta-feira pelo Dinheiro Vivo, como é o caso da Galp, da BP e da Prio.

Depois do JN ter dado conta que vários postos de combustível da Cepsa do distrito de Braga estariam alegadamente a ser abastecidos por camiões vindos de Espanha, escoltados pela GNR, “furando” assim a greve dos motoristas de matérias perigosas portugueses, a Cepsa Portuguesa não quis comentar esta situação, mas garantiu apenas que a empresa “está a monitorizar, em cada momento, o evoluir da situação, de modo a poder dar uma resposta rápida e adequada, bem como a articular com os seus transportadores as cargas a realizar por forma a poder dar resposta ao definido pelos diplomas legais aprovados e publicados pelo Governo; designadamente quanto ao acautelamento dos níveis mínimos de produtos nos postos de abastecimento, tendo em vista garantir o abastecimento de serviços decretados como essenciais”.

“Neste momento cerca de 20% da nossa rede ainda tem combustíveis, principalmente em zonas rurais e estamos a adequar todos os meios para dar resposta ao que consideramos ser os níveis mínimos decretados pelo governo de modo a podermos também servir a população das grandes cidades com o reforço do abastecimento em 10 estações de serviço na região da grande Lisboa e Grande Porto”, garantiu fonte oficial da Cepsa Portuguesa, sublinhando ainda “lamentar profundamente os impactos negativos que esta greve está a ter na vida das pessoas e das empresas e vai continuar a diligenciar para que seja reposta a normalidade nos seus postos de abastecimento o mais depressa possível”.

Já a Repsol, também ela uma petrolífera espanhola a atuar em Portugal, disse ao Dinheiro Vivo que “a situação é publicamente conhecida e dentro das condicionantes procuramos servir da melhor maneira os nossos clientes em função da implementação dos serviços mínimos mencionados no despacho nº30/2019 sobre o assunto. A nossa atividade está naturalmente condicionada ao enquadramento legal vigente e às acções do SNMMP e ANTRAM”.

O Dinheiro Vivo apurou que o transporte de combustíveis da Repsol em Portugal é contratado a empresas portuguesas, pelo que a petrolífera não tem quaisquer planos para trazer gasolina e gasóleo de Espanha, via fronteira terrestre, em camiões espanhóis, em contra corrente com a greve que decorre no país desde segunda-feira.

Garrafas de gás escasseiam nas bombas

A mesma fonte confirmou que a greve dos motoristas de materiais perigosos está a afetar também o negócio de venda de gás engarrafado nos postos de combustível, tanto mais se os consumidores começarem a fazer “açambarcamento de produto” e a armazenarem botijas de gás em casa.

De acordo com a Rubis, “a paralisação afeta todos os operadores, nos vários segmentos de negócio de GPL – engarrafado, granel e canalizado. Estamos a acompanhar com atenção o desenrolar dos acontecimentos, na expetativa de que, no mais curto espaço de tempo, seja possível ultrapassar-se esta situação. Sublinhamos que, mesmo tendo sido decretados serviços mínimos, os mesmos não serão suficientes para suster a situação sem impacto para os consumidores finais”, disse fonte oficial da empresa ao Dinheiro Vivo.

Da mesma forma, a Galp Gás já pediu aos clientes abastecidos por GPL que poupem no consumo de gás, via e-mail. A empresa do grupo Galp recomenda “que adotem, com a maior brevidade, medidas mitigadoras de consumos de gás, por forma a aumentar a autonomia do parque de abastecimento” das urbanizações fornecidas pela empresa.

Por seu lado, a Prio informou via comunicado que quatro camiões de combustível saíram esta quarta-feira das suas instalações, na Gafanha da Nazaré, em Aveiro, para abastecer a sua rede de 250 postos. “Mais de dois terços dos postos” estiveram em rutura de ‘stock’ ou risco de rutura.

 

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