Programa de Estabilidade

CFP. Cenário macro do governo é arriscado no médio prazo

A presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso. Foto: ANTÓNIO COTRIM/LUSA
A presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso. Foto: ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Entidade de Teodora Cardoso diz que 2017 está ok, mas pressente "um risco para a composição do crescimento" no período de 2018 a 2021.

O cenário macroeconómico do governo no Programa de Estabilidade é “provável” de vir a verificar-se em 2017, mas no período de 2018 a 2021 parece ser demasiado arriscado, tendo alguma falta de fundamentação, diz o Conselho das Finanças Públicas (CFP).

“De uma forma geral o cenário macroeconómico apresentado pelo Ministério das Finanças para o período 2017-2021 apresenta uma composição do crescimento assente no dinamismo do investimento e das exportações que, a concretizar-se, se afigura como a mais adequada para a sustentabilidade do crescimento da economia portuguesa”, refere o parecer publicado esta terça-feira.

O cenário para este ano não levanta problemas de maior na análise da entidade presidida por Teodora Cardoso. “As previsões efetuadas para 2017 afiguram-se como prováveis, tendo em conta a informação disponível, podendo mesmo a previsão oficial para o consumo privado ser considerada prudente.”

Já o mesmo não se pode dizer dos quatro anos seguintes. O cenário de médio prazo parece estar assente em pressupostos mais arriscados e frágeis.

Relativamente a 2018-2021, o CFP declara que “o conhecimento incompleto das medidas que fundamentam o redirecionamento da Formação Bruta de Capital Fixo [investimento] e a moderação do consumo privado face ao aumento do rendimento disponível sugerem um risco para a composição do crescimento, de que depende a sua sustentabilidade.”

Dúvidas grandes nas exportações líquidas

“Esse risco é particularmente assinalável no que respeita ao contributo positivo da procura externa líquida em todo o horizonte de previsão, que, na ausência de ganhos de termos de troca, tem de assentar em ganhos permanentes de quota de mercado, e/ou numa evolução contida das importações”, acrescenta o CFP.

O Conselho lembra ainda que estes exercícios de previsão a médio prazo “são especialmente relevantes” para que as políticas sejam baseadas “em cenários prudentes e em expectativas moderadas”.

Se houver moderação e prudência, é mais provável que as expectativas venham a ser excedidas, o que aumentará “a confiança na economia, permitindo, por outro lado, acomodar com maior facilidade eventuais choques adversos não antecipados”, defende o fiscal do Orçamento.

Os representantes do CFP vão ao Parlamento, esta terça-feira, apresentar estas conclusões sobre o cenário macroeconómico, faltando ainda um parecer sobre o conjunto do Programa de Estabilidade.

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