Cortiça

CGTP quer aumentos salariais de 4% no sector da cortiça

O secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
O secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Arménio Carlos, da CGTP, espera iniciar em maio a negociação de melhores salários e o combate à laboração contínua no sector da indústria corticeira.

O secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) disse este sábado que espera que seja possível iniciar em maio o processo de negociação para reivindicar melhores salários e o combate à laboração contínua no setor da indústria corticeira.

Entre as propostas já em análise por sindicatos e trabalhadores inclui-se um aumento de 4% nas remunerações salariais do pessoal do sector, o aumento dos subsídios de turno e de trabalho noturno, o aumento do subsídio de refeição de 5,5 para 6 euros, e a aplicação de diuturnidades a todas as posições laborais da indústria corticeira e não apenas aos cargos administrativos, para que todos beneficiem dos diretos relativos à antiguidade de funções.

De acordo com o último anuário da APCOR – Associação Portuguesa da Cortiça, o sector contava, em 2016, com 8.295 trabalhadores e tinha 670 empresas. Portugal é o maior exportador de cortiça do mundo.

Arménio Carlos, o líder da CGTP, reuniu-se com operários e sindicalistas da indústria corticeira, num encontro promovido pelo Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte e que teve lugar em Lourosa, no concelho de Santa Maria da Feira, onde ouviu vários testemunhos relativos às condições atuais de trabalho no setor – que concentra nesse município a maioria das empresas do ramo da cortiça.

“O sector está a ter elevadíssimos lucros e não está a corresponder na distribuição da riqueza produzida pelos trabalhadores, pelo que houve aqui hoje um sinal muito afirmativo com vista à exigência da melhoria significativa dos salários”, disse o líder da CGTP em declarações à Lusa.

“Na reunião também ficou patente a posição geral contra a desregulação dos horários e sobretudo contra a introdução da laboração contínua em algumas empresas, o que põe em causa a articulação da vida profissional com a pessoal e familiar”, acrescenta.

Para Arménio Carlos, a laboração contínua pode conduzir, aliás, “a uma mais acentuada redução dos rendimentos dos trabalhadores”, tendo em conta que atualmente os funcionários requisitados para funções ao fim-de-semana são remunerados como tendo exercido trabalho suplementar “e isso deixará de acontecer se o sábado e domingo passarem a ser dias de atividade normal”.

A CGTP propõe-se agora “promover uma forte dinâmica de discussão com os trabalhadores do setor, auscultando-os nos seus locais de trabalho sobre as propostas que estão a ser consideradas”, e a expectativa do secretário-geral da confederação é que isso também “dê força à proposta de revisão do contrato coletivo” a apresentar à representação patronal do sector, em concreto à APCOR – Associação Portuguesa da Cortiça.

“Estamos no processo inicial da apresentação de um anteprojeto a discutir com os trabalhadores, o que vai ocorrer agora nos primeiros dias de abril, e depois será entregue a respetiva proposta à APCOR”, antecipa Arménio Carlos. “Admite-se que a partir da primeira quinzena de maio já se possa iniciar o processo de negociação e procurar que ele tenha o sucesso que todos desejamos”, referiu.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Mário Centeno

Centeno volta a cativar mais dinheiro

Natalidade. Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens

Despesa com apoios à família é a quinta mais baixa da UE

Foto: D.R.

Easyjet. Ligações de Portugal com Itália não serão afetadas, por enquanto

CGTP quer aumentos salariais de 4% no sector da cortiça