Economia

China anuncia meta ambiciosa para a economia e sobe gastos com a Defesa

Presidente da China, Xi Jinping. REUTERS/Carlos Jasso
Presidente da China, Xi Jinping. REUTERS/Carlos Jasso

O Governo chinês anunciou esta terça-feira, 5 de março, uma meta ambiciosa para o crescimento económico e um aumento de 7,5% nos gastos militares, para este ano, apesar da incerteza suscitada pelas disputas comerciais com os Estados Unidos.

No arranque da sessão anual da Assembleia Nacional Popular (ANP), órgão máximo legislativo da China, o primeiro-ministro do país, Li Keqiang, estabeleceu como meta para 2019 um crescimento económico “entre 6% e 6,5%”.

Trata-se de um ritmo ligeiramente abaixo ao alcançado no ano anterior, de 6,6%, mas ainda assim entre os mais rápidos do mundo.

Numa resposta às queixas de Washington e Bruxelas sobre o acesso ao mercado chinês, Li garantiu “igual tratamento” para as empresas estrangeiras e concorrentes nacionais.

O primeiro-ministro prometeu ainda “promover as negociações comerciais entre a China e os EUA”, sem avançar detalhes sobre o estado das negociações que visam pôr fim a uma guerra comercial que ameaça a economia mundial.

Na segunda metade do ano passado, China e EUA aumentaram as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um.

O presidente norte-americano, Donald Trump, exige que a China ponha fim a subsídios estatais para certas indústrias estratégicas, à medida que a liderança chinesa tenta transformar as firmas do país em importantes atores em atividades de alto valor agregado.

Washington quer também mais acesso ao mercado, melhor proteção da propriedade intelectual e o fim da ciberespionagem sobre segredos comerciais de firmas norte-americanas.

Mas Li Keqiang prometeu ainda aumentar os gastos com o desenvolvimento do setor tecnológico, que o Partido Comunista Chinês considera crucial para elevar o estatuto global do país.

E alertou que a segunda maior economia do mundo enfrenta um “ambiente mais severo e mais complexo”, com riscos que se podem tornar “maiores em número e tamanho”.
A ANP, cuja sessão anual decorre até 14 de março, é o “supremo órgão do poder de Estado na China” e a “expressão máxima da democracia socialista”.

Contudo, os cerca de 3.000 delegados à ANP, entre os quais uma representação das Forças Armadas, não são eleitos por sufrágio direto e o “papel dirigente” do Partido Comunista Chinês (PCC) é “um princípio cardial”.

A Assembleia deve rever a legislação que regula o investimento estrangeiro, para acabar com a transferência forçada de tecnologia, visando atender a uma das principais queixas de grupos empresariais norte-americanos e europeus.

Li anunciou também a subida dos gastos públicos em 6,5%, comparativamente ao ano passado, para 23 biliões de yuans (3,03 biliões de euros) e um aumento do rácio do défice, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), em 0,2 pontos percentuais, para 2,8%.

Este estímulo permitiria impulsionar “significativamente o poder de compra” dos consumidores e empresas e ajudaria a aumentar a procura por automóveis, eletrodomésticos e outros bens, afirmou num relatório Vishnu Varathan, do banco japonês Mizuho Bank.

O governo quer “garantir uma aterragem suave”, para a economia, descreveu Varathan.

Os gastos com a Defesa vão aumentar 7,5%, para o equivalente a 156,7 mil milhões de euros, segundo um relatório difundido pelo ministério chinês das Finanças, que antecedeu à abertura da ANP.

Yue Gang, um especialista militar e coronel aposentado do Exército chinês, considerou que o aumento relativamente modesto dos gastos militares – abaixo das subidas de dois dígitos dos últimos anos – reflete as novas condições económicas que o país enfrenta.

“É mais urgente que a China se prepare para uma guerra comercial com os EUA do que uma guerra física”, disse.

O orçamento da Defesa impulsionará a construção naval e a compra de aeronaves de última geração e outro armamento, visando reforçar as reclamações territoriais chinesas no mar do Sul da China e firmar a posição do país como potência regional.

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