Fórum BCE

China desiste do Fórum BCE e nuvem Brexit paira sobre Sintra

Janet Yellen (Fed) e Mario Draghi (BCE). Fotografia:  EPA/KIMIMASA MAYAMA
Janet Yellen (Fed) e Mario Draghi (BCE). Fotografia: EPA/KIMIMASA MAYAMA

Ao contrário do que estava previsto, o governador do banco central da China deixou de ser o convidado de abertura da conferência.

O Fórum BCE (Banco Central Europeu), um evento anual que reúne banqueiros centrais e economistas famosos de todo o mundo, em Sintra, arranca hoje, segunda-feira, 27 de junho, em Sintra.

O tema central desta edição é “o futuro da arquitetura monetária e financeira internacional”. Ela acontece apenas quatro dias após o povo inglês ter votado maioritariamente a favor de uma saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit).

Além disto, houve um percalço de relevo. Ao contrário do que estava previsto, o governador do banco central da China, Zhou Xiaochuan, deixou de ser o convidado de abertura da conferência. Desistiu sem aviso há duas semanas. As razões não são conhecidas.

O Fórum BCE, do qual Mario Draghi é presidente, decorre até 29 de junho. Participam nos trabalhos cerca de 150 pessoas: banqueiros, economistas, políticos e outras individualidades.

Segundo a instituição, este terceiro fórum, vai debater o futuro das instituições monetárias e financeiras ao nível global já que se trata de “um tópico central entre decisores de política e economistas”, refere a instituição de Frankfurt.

No programa que constava até ao início de junho, o BCE dizia que “o presidente, Mario Draghi, e o governador do Banco Popular da China, Zhou Xiaochuan”, iriam “abrir o evento com discursos durante o jantar”.

O alto responsável chinês “cancelou” a sua vinda a Lisboa à última hora. O BCE não sabe as razões. “Não recebemos informação sobre a decisão [do Banco Popular da China]. Foi cancelado há cerca de uma semana [entre 13 a 17 de junho]”, disse ao Dinheiro Vivo fonte oficial do BCE, na passada sexta-feira. O banco central chinês foi contactado sobre isto, mas não houve retorno.

Certo é que Zhou Xiaochuan continua muito ativo. Nesse dia, sexta-feira 24, estava em Washington onde participou, como convidado principal, num debate no Fundo Monetário Internacional, a convite de Christine Lagarde, a diretora-geral.

Em substituição do banqueiro central chinês em Sintra vem Alan Blinder, conceituado professor da Universidade de Princeton (Estados Unidos), que irá falar sobre um tema quente: “a questão da independência dos bancos centrais”.

Quente, sobretudo na Europa, por causa das políticas de injeção de dinheiro barato por parte do BCE e das compras massivas de dívida pública (quantitative easing) contra as quais muitos estão contra, designadamente os alemães.

Este fórum de Sintra é o equivalente europeu da famosa cimeira de Jackson Hole, organizada pela Reserva Federal de Kansas City (Estados Unidos), nas montanhas do Wyoming, que costuma acontecer no final de agosto.

A edição do BCE acontece numa altura em que muitos desejam uma maior aproximação à China. Nos últimos anos, tem aumentado a pressão para que a China deixe o valor da sua moeda mais ao sabor dos mercados. A ideia de fundo é que o yuan chinês deveria valer mais. A China tem resistido a isto pois a taxa de câmbio, a par dos salários muito reduzido, é um dos instrumentos de política que lhe permite manter preços muito baixos nas suas exportações.

Brexit: uma nuvem negra a pairar em Sintra

Sem a China presente, mas com Brexit a pairar qual nuvem negra, o Fórum BCE promete acolher debates mais acesos.

“Durante dois dias de sessões e painéis, cerca de 150 governadores de bancos centrais, académicos, jornalistas de economia e representantes ao mais alto nível do mercado financeiro trocarão pontos de vista sobre questões de política atuais e discutirão tópicos numa perspetiva de longo prazo”, explica o BCE. Hoje não há sessões, apenas um jantar.

Mark Carney, o governador do Banco de Inglaterra, agora ainda mais sob os holofotes do resto do mundo, e Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal dos EUA, o banco central mais poderoso, também vêm a Sintra para o evento.

Tal como nas outras duas edições, o BCE promove um concurso para “jovens economistas”, estudantes de doutoramento, que apresentarão os resultados das suas investigações em formato de cartaz (poster) digital, havendo depois um vencedor que Draghi anunciará no final da conferência. O melhor ganhará 10 mil euros.

No ano passado, o convidado principal do evento veio dos Estados Unidos. Foi Stanley Fischer, o vice-presidente da Reserva Federal, e prémio Nobel da Economia. O grande tema de 2015 foi a relação entre inflação e desemprego (curva de Phillips).

O Fórum BCE acontece num contexto ainda mais complicado do que há um ano. As perspetivas de crescimento para 2016 são mais magras, a inflação está a ainda mais baixa (quase zero), o quantitative easing e outros instrumentos do BCE foram reforçados (contra a vontade dos alemães, caso do OMT, que obteve luz verde do Tribunal Constitucional germânico) e a UE entrou definitivamente em rutura com a saída do RU.

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