Inovação

China premeia colchão feito com garrafas de plástico

Ana e Pedro Duarte, atuais administradores da Colmol, sentados sobre o Planet. Fotografia: André Gouveia/Global Imagens
Ana e Pedro Duarte, atuais administradores da Colmol, sentados sobre o Planet. Fotografia: André Gouveia/Global Imagens

A Colmol, empresa de Cucujães, venceu um prémio de inovação na feira de Xangai com colchão revestido com tecido à base de material reciclado

Foi o único fabricante português de mobiliário na última feira setorial de Xangai, tida como a maior do mundo, e, logo na estreia naquele certame, acabou surpreendido com o Troféu Produto Inovador, atribuído por um júri internacional que reconheceu mérito ao colchão revestido com um tecido feito a partir de garrafas de plástico.

Com o colchão Planet, a Colmol, gerida pelos irmãos Pedro e Ana Duarte, pretendeu dar o seu contributo para a “consciência ambiental”, fazendo uso de garrafas recicladas que se convertem em fibra e assim entram como matéria-prima no tecido de revestimento.

Embora o processo de reciclagem do plástico e o da produção do tecido ocorram em indústrias diferentes, instaladas em Portugal, a empresa familiar de Cucujães, Oliveira de Azeméis, concebeu a ideia e a produção do colchão “sustentável”, que agora se destacou entre “centenas de concorrentes”.

A estreia na Forniture China foi meio caminho andado para a colocação do produto no mercado, uma vez que o objetivo é vendê-lo apenas no segmento da exportação, pelo menos, numa fase inicial, segundo André Soares, da área comercial da empresa. O preço ainda está sob reserva.

Neste momento, o exterior já é o principal mercado da Colmol, para onde escoa 70% da produção, distribuindo-a por 25 países. O crescimento além-fronteiras coincide com a aposta da empresa, dos últimos três anos, em participar nas feiras mundiais mais fortes do mobiliário, como as de Inglaterra, Singapura, Milão, Las Vegas, Paris ou Malásia.

O prémio obtido na China foi já a segunda distinção atribuída neste ano à empresa, depois de a Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins (APIMA) a ter agraciado, precisamente, como uma das maiores exportadoras do setor. Todo o esforço de internacionalização tem sido feito, sobretudo, com recurso a capitais próprios.

Mas, em matéria de inovação, a empresa já tem outras provas dadas ao longo dos seus 47 anos de atividade, desde que foi constituída por Manuel e Maria do Céu Duarte, pais dos atuais administradores. Segundo alegam, foram os primeiros a produzir em Portugal colchões com molas ensacadas.

Aliás, por causa dos colchões de molas, a empresa tem um pavilhão à parte para as poder produzir, o que já não acontece com os colchões de espuma, cuja matéria-prima tem de ser adquirida a fornecedores externos.

Certo é que, no total, a fábrica, com os seus 80 trabalhadores, tem uma capacidade instalada que permite produzir 750 colchões por dia.

A nova malha, certificada com o selo Repreve, que garante a sustentabilidade ambiental, surge a par de outros tecidos também usados nos colchões da empresa de Cucujães, sempre a pensar na dupla característica de “conforto e qualidade”. É o caso do revestimento feito em algodão biológico ou de outro, mais a pensar no mercado feminino, que incorpora azeite, em nome da suavidade e da hidratação da pele.

Pedro Duarte conclui que a inovação premiada na China “é o tipo de produto que a Colmol quer ter a partir de agora, alargando a filosofia da sustentabilidade a toda a linha produtiva, sem sacrificar o conforto e o bem-estar”.

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