Chipre sem resgate mas depósitos baixos segurados

ng3091570

O Eurogrupo reuniu-se ontem de urgência, mas
duas horas não chegaram para garantir uma solução para Chipre. Os
líderes continuam “disponíveis para discutir com as
autoridades cipriotas uma nova proposta”, que esperam que chegue
rapidamente, mas não apresentaram soluções para a crise financeira
no país.

Da reunião de emergência saiu apenas uma
novidade: a Europa recuou na taxa sobre os depósitos, que agora
deverá “garantir os depósitos abaixo de 100 mil euros”.
Esta era, de resto, a intenção do governador do banco central do
Chipre, que até já tem um plano de reestruturação para a banca
cipriota que inclui num plano B para arrecadar os 5,8 mil milhões de
euros que a Europa exige. Panicos Demetriades anunciou que remeteu
ao Parlamento um plano para reformar o sistema bancário. A
proposta permitirá a reestruturação da banca e a garantia dos
depósitos até 100 mil euros. Isto poderá passar pela fusão dos
dois maiores bancos privados – Banco de Chipre e Laiki Bank (ou Banco
Popular) -, que valem 80% do mercado doméstico.

Demetriades já advertiu que se esta proposta
for chumbada no Parlamento, o Laiki poderá ter de fechar. Além
disso, o responsável explica que é fundamental impor medidas para
uma rápida reestruturação deste banco. Aqui já se inclui a
proibição de levantamentos superiores a 260 euros por dia nas
caixas multibanco, que ontem ganhou forma. Este programa implica
perdas para os acionistas e depositantes acima dos 100 mil euros. Se
for aprovada, a medida permitirá arrecadar 2,5 mil milhões de
euros.

Esta proposta tem de passar primeiro no
Parlamento e depois será apresentada aos líderes internacionais,
que estão “prontos para ajudar os cipriotas nas reformas e
garantir a estabilidade do euro como um todo”.

Para o plano B entrará também um fundo de
solidariedade, que deverá incluir as receitas da nacionalização de
fundos de pensões privados e de obrigações sobre os futuros
rendimentos da exploração de gás natural. No total, este fundo
deverá totalizar os restantes 3,5 mil milhões de euros. Fontes
próximas do processo explicam que “isto não é o plano B, é
parte do plano B, que permite reduzir as necessidades de
financiamento” do país.

O governador do Banco de Chipre assegura que se
a proposta for aprovada, os bancos terão condições para reabrir na
terça-feira e que o BCE poderá continuar a financiar as
instituições bancárias cipriotas. Ao arrecadarem os 5,8 mil
milhões, os cipriotas deverão ganhar a confiança do Eurogrupo, que
espera que se “respeitem os parâmetros definidos inicialmente”.
Os líderes apelaram apenas a uma decisão rápida, até porque o BCE
já afirmou que Chipre tem de apresentar um plano até segunda-feira.

O Dinheiro Vivo sabe que “a troika está
disponível para aceitar alternativas”, mas só quando a
proposta chegar haverá uma decisão. Menos crente está a Standard &
Poor’s, que baixou o rating do país para CCC, dois níveis abaixo de
lixo, por não ver uma “alternativa credível para encontrar
financiamento”. com João Francisco Guerreiro e Luís Reis
Ribeiro

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje

Página Inicial

Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, com responsáveis da VW na apresentação do T-Roc. Fotografia: DR

Caldeira Cabral confiante em acordo com trabalhadores da Autoeuropa

Fátima Barros, presidente da Anacom
Fotografia: Álvaro Isidoro / Global Imagens

Operadores dificultam rescisões de contratos e Anacom divulga alternativas

Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
Chipre sem resgate mas depósitos baixos segurados